Tiago Queiroz/ Estadão
Paciente com covid-19 internado no Hospital Emilio Ribas Tiago Queiroz/ Estadão

Fila para UTI, falta de vacina e vida sob lockdown. Eles vivem de perto o pior momento da pandemia

Relatos de parentes e profissionais de saúde dimensionam recordes recentes do novo coronavírus no Brasil. Enquanto a oferta de doses não se amplia, cada vez mais pessoas voltam a viver sob restrições mais rígidas

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Diana viu os pais serem levados no mesmo dia por ambulâncias no Rio Grande do Sul. Luis pensou que o pior já havia passado, mas agora trabalha num hospital que opera com 130% da capacidade em Santa Catarina. Roberto não soube responder quando perguntaram quando haveria mais vacina para os idosos na Bahia. Já no interior de Minas, Gladstone diz que até conseguiria abrir mais leitos, mas não tem mais médicos e enfermeiros. 

Relatos que dão conta da pressão que a nova onda da covid-19 aplica ao sistema de saúde, com reflexos em formato de filas de espera, têm se multiplicado. Dezoito Estados e o Distrito Federal têm mais de 80% de ocupação de UTIs, segundo boletim da Fiocruz divulgado nesta terça-feira, 2. Também é crescente a demanda por mais vacinas, alternativa para reduzir a parcela da população suscetível ao vírus. E enquanto a oferta de doses não se amplia, cada vez mais brasileiros voltam a viver sob restrições mais rígidas que tentam frear a transmissão.

Diante do descontrole do contágio, especialistas e gestores de saúde têm cobrado a implementação de medidas efetivas de isolamento, incluindo lockdown de ao menos duas semanas. Já o presidente Jair Bolsonaro se mantém crítico às ações de quarentena e chegou a ameaçar governadores de não pagar auxílio emergencial nos Estados onde houvesse fechamento do comércio. Ainda não há, porém, data para iniciar o pagamento da nova rodada do auxílio federal. 

O Estadão conta a seguir histórias de pessoas que têm visto de perto o pior momento da pandemia de covid-19 no Brasil. Os relatos dimensionam o drama por trás dos recordes consecutivos ao longo das últimas semanas. Nesta terça, foi registrado o pico de mortes em 24 horas, com 1.726 óbitos. O Brasil é o segundo maior país em quantidade de vítimas das doença, com cerca de 257,5 mil perdas. /FÁBIO BISPO, FERNANDA SANTANA, LEONARDO AUGUSTO E EVERTON SYLVESTRE, ESPECIAIS PARA O ESTADÃO

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‘Pensávamos que o pior já tinha ficado para trás. Todo dia tem funcionário chorando no plantão’

Médico de hospital em Florianópolis narra a rotina na unidade diante do novo avanço da doença. ‘Estamos atendendo com 130% da capacidade’, ressalta o profissional

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Luis Pires, médico, diretor técnico do Hospital Florianópolis, referência para tratamento da covid-19, que chegou a atingir 130% de lotação nesta semana

"Quando começou a pandemia, fui morar no apartamento da minha sogra para ficar isolado, e ela veio para minha casa ficar com minha esposa e as crianças. Permanecemos assim por alguns meses. A rotina desde o início foi bastante pesada, praticamente 24 horas atento, quando não no hospital, ligado no sobreaviso ou negociando transferências e insumos pelo telefone. Mas lá em março do ano passado, quando tudo começou, não esperávamos que iria durar tanto. 

Não aguentei ficar tanto tempo longe da família, acabei voltando para o apartamento. Tomamos todas as medidas de segurança para isso. Fui infectado em outubro do ano passado, e praticamente toda a equipe também foi contaminada. Depois do 'boom' de julho do ano passado, pensávamos que o pior já tinha ficado para trás, e aí veio essa nova onda e derrubou toda a equipe novamente. 

Tivemos casos de profissionais que não aguentaram a pressão e pediram afastamento, perdemos amigos... É uma coisa que nunca imaginei viver em 13 anos de Medicina. Todos os dias quando chego no hospital, tem funcionário chorando no plantão. 

Lá fora, familiares de pacientes esperando respostas, ou uma vaga de UTI, todos muito aflitos. Nós já não trabalhamos mais com expectativas, só atendemos os pacientes que estão lá fora morrendo. É o que tenho dito para a equipe todos os dias: não podemos pensar o que vai acontecer, tem paciente na fila e não tem com que se iludir, é colocar para dentro do hospital e atender. Hoje (domingo, 28 de fevereiro) estamos atendendo com 130% da nossa capacidade, com gente internada em poltronas aguardando leito.” /Depoimento a Fábio Bispo, especial para o Estadão

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‘Pessoas vêm perguntar quando os avós podem ser vacinados e não sabemos o que informar’

Técnico de enfermagem relata rotina da imunização em Salvador, onde aplicação chegou a ser interrompida. ‘É frustrante a gente não saber responder, porque é nosso dever’, diz. Campanha foi retomada

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Roberto Borges Lima, 38 anos, técnico de Enfermagem, trabalha no drive-thru da Arena Fonte Nova, em Salvador.

 

"Trabalho com a vacinação desde o início da campanha. Vemos muita gente chorando porque finalmente foi imunizada, e até nós, profissionais da saúde, choramos, porque as pessoas depositam confiança na gente. 

No sábado passado (dia 20), fui trabalhar num ponto de drive-thru, como já vinha fazendo. Cheguei às 7 horas, como sempre, e tinha sido chamado para trabalhar no dia seguinte. Precisavam de plantões diários para poder atender a filas de carros, de gente, querendo se vacinar. 

Quando deu 16h daquele mesmo dia, os estoques chegaram ao final. Foi um grande balde de água fria. Todo mundo ficou triste quando a coordenadora avisou que não continuaríamos com a vacinação. (Salvador foi uma das cidades brasileiras que chegou a interromper a campanha de vacinação em razão dos repasses federais de doses )

Mas também é bom dizer que muitas vezes nem nós mesmos sabemos qual vai ser o próximo passo, se vamos conseguir vacinar, se vai ser o suficiente. Chegamos cedo, saímos tarde, e as coisas mudam muito num dia. 

Na segunda, voltei a trabalhar no Posto de Saúde da Família, já que não vacinaríamos mais. As pessoas chegavam no posto perguntando quando ia voltar, quando os avós poderiam ser vacinados. Triste, porque nosso papel é justamente informar, e a gente não sabia como, o que informar. Quando a vacinação voltaria? Se voltaria? As pessoas chegavam, perguntavam, e nada.

É frustrante para a gente não saber responder, porque é nosso dever. Então veio a notícia do retorno, agora com filas gigantescas de gente querendo se vacinar. É uma felicidade. Mesmo que no dia a dia, sejamos até agredidos verbalmente, por conta de casos de profissionais de saúde, nem sei se podemos chamar esses criminosos assim, que fingiram estar vacinando a população. 

Agora, sempre chegam três pessoas num mesmo carro, uma para vacinar, outra para filmar e outra para ver se está tudo certo. Todos estão muito armados. /Depoimento a Fernanda Santana, especial para o Estadão

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Poderíamos abrir mais leitos, mas não há mais médicos e enfermeiros, diz secretário

Gladstone Rodrigues, que comanda a Saúde de Uberlândia, relata efeitos da nova onda de covid-19. Cidade mineira tem fila de espera para leitos críticos e começou a fazer transferência para outras cidades

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Gladstone Rodrigues, secretário municipal de Saúde de Uberlândia. Médico, ex-reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

"Conseguimos abrir muitos leitos de unidade de terapia intensiva (UTIs) exclusivos para covid-19. Chegamos a 228, mas a fila de espera hoje para um leito desses é de 124 pacientes. Até poderíamos abrir mais, mas não há mão de obra. Não tem mais médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem. O número de casos avança muito rapidamente, e a mão de obra não se forma de um dia para o outro. 

Uma das saídas encontradas é a transferência dos pacientes. Nesse caso, cabe ao Estado (de Minas Gerais) encontrar um município que tenha leito disponível. A situação é grave, porque não está tendo muita vaga. E o transporte precisa ser rápido, por via aérea, porque existe a possibilidade de piora no quadro de saúde dos pacientes. 

Enquanto as transferências não saem, os pacientes que precisam de UTI ficam sob assistência nas enfermarias, salas de emergência e até nos corredores das oito unidades de atendimento integrado (UAIs) da cidade. 

Essa nova onda de covid-19 é diferente da primeira, no ano passado. Os casos surgem mais rapidamente. Por isso, há utilização maior de insumos necessários para o tratamento das pessoas que precisam ser entubadas, que são o oxigênio, sedativos e relaxante muscular, para que o respirador possa funcionar, já que será o equipamento que controlará a respiração do paciente.

Quanto ao oxigênio, não há problemas. Os sedativos e o relaxante muscular a gente ainda tem, mas o consumo está alto em todo o País e estamos tentando comprar para antecipar estoque. Estamos apreensivos. A demanda é crescente. O estoque de luvas que comprávamos para três meses hoje dura um. A caixa com 100 pares, que custava R$ 13, subiu para R$ 105. /Depoimento a Leonardo Augusto, especial para o Estadão

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‘Eu não saio e meus filhos não saem. A curva ainda está subindo e muita gente vai adoecer’

Servidora pública Sylvia de Oliveira fala sobre a rotina da sua família diante do lockdown em Araraquara, no interior de São Paulo, que durou seis dias. ‘Tem muito araraquarense que é negacionista’, lamenta

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Sylvia de Oliveira, 61 anos, servidora pública na Unesp e moradora de Araraquara (SP)

"Pessoas do nosso convívio estão morrendo. O professor Mello morreu há cerca de dez dias, somos da mesma igreja. Quando pequena, minha filha corria para abraçar o Mello. Ramiro, conhecido meu de adolescência, foi enterrado no começo da semana. É triste. A cabeleireira Fulvia ficou na UTI. O Caio, que trabalhava com meu pai, foi transferido para hospital de São Paulo. A filha dele e a empregada estão com covid-19.

Eu não saio, meus filhos não saem. A gente se acostuma. Estou desde março (de 2020) assim. Uma semana de lockdown e as pessoas entraram em pânico. (Araraquara decretou fechamento total, o que incluiu supermercados, em fevereiro, para tentar frear a propagação da doença, que pressiona o sistema de saúde local. O bloqueio durou seis dias, e agora a cidade está em uma reabertura lenta e gradual

O vulnerável não tem comida, mas muitos que estão reclamando têm dinheiro. Não aceita ficar privado. Precisamos aceitar que é uma doença cruel, contagiosa. Meus filhos, ao chegar em casa (antes do lockdown), já põem a roupa na máquina e tomam banho. Por causa do meu pai, por mim, que já tenho 61 e asma. Por eles também. A gente tem um medo danado. Meu pai sabe que é perigoso porque a gente fala e ele acredita, agora tomou a primeira dose da Coronavac.

Tenho de me distanciar um pouco do Facebook. A gente vê muita barbaridade, fake news de tratamento preventivo. Não aguento e respondo. Aqui em casa, a gente se protege com barreiras físicas. Encontrei a minha zona de conforto dentro de casa.

Estamos vivendo uma Araraquara ingrata. Todos que foram protestar contra o lockdown foram multados? Está difícil pra todo mundo, no Brasil inteiro. Tem gente para ser entubada e não tem lugar.

Nesses dias de lockdown ninguém precisou sair aqui de casa. Não tinha molho de tomate para fazer macarrão. Supermercado fechado, pessoas comprando sem saber que dia ia chegar. Minha filha fez alho e óleo. Se algum vizinho perguntar se tenho uma lata de óleo, eu cedo. A gente tem que se ajudar. Do jeito que está aumentando o contágio, vou adotar delivery para compra de mercado.

A maior parte que reclamou esta semana tem renda média, não são as pessoas que estavam esperando a cesta básica chegar. Muitos ficam reclamando e não têm ação.

Não estão conscientes que a curva ainda está subindo, que muita gente vai adoecer. Tem muito araraquarense que é negacionista, fala que estão botando terror, que não é tudo isso, 'esse prefeitinho'. 

As pessoas têm que ser vacinadas o mais urgente possível e a gente não tem previsão. Quinze dias, um mês depois da 2ª dose, meu pai pode até dar uma saidinha. Quem realmente sabe do problema que a gente está vivendo está se cuidando. Se cuidem. Vai passar!" /Depoimento a Everton Sylvestre, especial para o Estadão

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‘Quando o Samu chegou, ele já tinha morrido. Nós, também infectados, não podemos receber um abraço'

Parente de vítima da covid-19 no Rio Grande do Sul, Estado que enfrenta pico do coronavírus, relata piora no quadro do cunhado. Família contraiu a doença e teve de permanecer isolada

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Maira Barbon, de 33 anos, cunhada de Adilmar Ivandro da Rosa, de 46, que morreu em Boqueirão do Leão, no Rio Grande do Sul, em fevereiro de 2021 à espera de vaga. 

"Ele testou positivo na quinta-feira (18 de fevereiro), começou a ficar com uma tosse muito feia. Na sexta, teve piora na saturação e aí começou a busca por um leito de UTI. Ficamos desde o meio-dia procurando. Na madrugada do dia 20, apareceu um leito em Lajeado (a 75 km de Boqueirão do Leão, no Rio Grande do Sul, que mantém todas as suas regiões em alerta máximo em razão do avanço da doença), mas ele já não estava bem, com saturação em queda. O médico decidiu fazer uma pré-entubação, mas não conseguiram. Entupiu a mangueira e teve complicações. 

Meu marido acompanhou tudo, ajudou a bombear a máquina, porque a enfermeira cansou. Como o Adilmar era deficiente, e meu marido também estava positivo, ele pode ficar com o irmão. Acabou ajudando a equipe. Nosso hospital (Hospital Dr. Anuar Elias Aesse) é pequeno, mas a equipe foi maravilhosa, todos trabalharam muito, fizeram o que foi possível. 

Quando retiraram a entubação que não deu certo, a saturação caiu mais ainda. A ambulância que iria levar ele para UTI já tinha saído de Lajeado. Estávamos só esperando, mas ele não resistiu, deu uma parada cardiorrespiratória e morreu 30 minutos antes deles chegarem. O mais triste foi quando o Samu chegou, ele já tinha morrido. Eles deram meia-volta e foram embora. 

Morávamos em cinco, eu (Maira Barbon), meu marido e irmão do Adilmar (André Luís da Rosa), minha sogra (Diva Maria da Rosa, de 65 anos) e minha filha de cinco anos. Minha sogra foi a primeira a contrair o vírus e, quando o Adilmar se foi, estávamos todos infectados. Ficamos todos esses dias isolados, sem poder receber um abraço dos amigos e parentes, hoje (domingo, 28 de fevereiro) é o último dia de isolamento e estamos todos bem. 

O Adilmar teve paralisia infantil, usava fraldas, e como precisava muito de cuidados, achamos que foi aí que ele contraiu o vírus. No último dia, ele pedia para ver a sobrinha, por isso fomos ao hospital, para ele ver minha filha quando fosse transferido para UTI. Mas isso não aconteceu. /Depoimento a Fábio Bispo, especial para o Estadão

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‘Ele tinha muito medo de pegar covid, dizia que se pegasse esse bicho não resistiria’

Neta de vítima em Santa Catarina relata dificuldade para encontrar leito de UTI e piora do quadro do avô, que acabou morrendo com uma pneumonia decorrente da doença. “Ficou um vazio”, lamenta

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Heloiza Abreu da Silva, jornalista, neta de Manoel Quirino de Abreu, de 84 anos, que morreu em dezembro de 2020.

"Meu avô foi mineiro nas minas de carvão de Criciúma (SC). Ele tinha uma pequena lesão pulmonar desse tempo, mas viveu a vida toda sem nunca ter tido qualquer complicação com isso. Cuidava da horta, criava galinha e ia todas as semanas no bailão. Cansei de ver ele carregando uma bananeira inteira nas costas.

Ele tinha muito medo de pegar covid, dizia que se “pegasse esse bicho” não resistiria. Suspeitamos que ele tenha pego no mercado ou na peixaria, os poucos lugares que ia. Ficou de segunda até quinta com sintomas e quando chegou no hospital (Hospital São José de Criciúma) estava ardendo em febre. 

Primeiro ficou na ala de covid, ele não tinha nem feito o teste. Na primeira noite, passou frio e fez as necessidades ali mesmo. Ele piorou e foi difícil achar uma UTI. Ficou na fila de espera e aconteceu o que a gente temia. Uma pessoa mais nova acabou passando na frente dele. Ele acabou conseguindo a vaga na UTI e ficou mais de 20 dias internado, passou o Natal no hospital. Nessa noite, ele teve uma melhora e encheu a gente de esperanças, mas no outro dia piorou e faleceu em 27 de dezembro de uma pneumonia em decorrência da covid-19.

Ele para mim era um orgulho. Eu tinha uma paixão muito grande por ele, éramos muito grudados. Minha mãe ainda não consegue falar sobre isso, ficou um vazio. /DEPOIMENTO A FÁBIO BISPO, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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Minha mãe e meu pai foram levados no mesmo dia por uma ambulância, diz professora

Pais de Diana estão internados em hospitais diferentes no Rio Grande do Sul, em situação estável. ‘Nessa hora não tem dinheiro, nem ninguém ou nada que resolva’, lamenta ela

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2021 | 15h00

Depoimento de Diana Hass, de 35 anos, professora de Marketing, filha de Jane Willrich Haas, de 64 anos, e Nilton Haas, de 67 anos, ambos internados em hospitais diferentes no Rio Grande do Sul

"Os dois vivem em Canela (na Serra Gaúcha) e se infectaram juntos. Foram alguns dias de idas e vindas no hospital, como não tinha vaga eles eram medicados e voltavam para casa. A situação foi se agravando, até que minha mãe acabou sendo levada de casa por uma ambulância. No mesmo dia, à noite, meu pai foi levado. 

Nessa hora, minha mãe estava sendo transferida para internação em Novo Hamburgo, e está em leito convencional, na Unimed. Meu pai foi para UTI em Porto Alegre, onde encontraram vaga. Então, um não sabe do outro. 

Recebo ligações todos os dias com o boletim médico. Os dois estão em situação estável. Decidi expor isso que estou enfrentando nas redes sociais, mesmo sendo muito dolorido, porque são os dois, pai e mãe, e é uma história real. 

Estou compartilhando justamente para que as pessoas possam pensar, mudar suas atitudes. Porque essa doença deixa a gente sozinho, eles lá... sem um saber do outro e nem como será. E eu aqui, sozinha, na espera de uma ligação por dia.

São 24 horas sem nenhuma notícia e quando o telefone toca é aquela tensão. Hoje (sábado, 27 de fevereiro) é aniversário do meu pai. Eles disseram que iriam cantar parabéns. Tento pensar que nesse momento eles estão na melhor situação possível. Estão em um leito, é preciso ser grata por isso. E que, realmente, não posso fazer nada, não tem nada que ajude. Nessa hora não tem dinheiro, nem ninguém ou nada que resolva. 

E eu, que tanto me posicionei sobre a pandemia, pedindo que todos ficassem em casa, agora estou nessa situação, vivendo depois de quase um ano o que mais temia. Acho que por isso que também decidi compartilhar com as demais pessoas. /DEPOIMENTO A FÁBIO BISPO, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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