Fiocruz abrirá uma sede em Moçambique ainda este ano

O Ministério das Relações Exteriores se comprometeu a comprar os primeiros medicamentos que serão enviados

Fabiana Cimieri, de O Estado de S. Paulo,

08 de setembro de 2008 | 19h44

A primeira sede da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fora do continente americano deverá ser inaugurada até o final do ano, em Maputo, capital de Moçambique. A ação faz parte da estratégia do Ministério das Relações Exteriores de incrementar os acordos de cooperação com os países africanos, sobretudo com os membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Angola e Cabo Verde).   Na última sexta-feira, o ministro de Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, Oldemiro Balói, esteve no Rio e em Brasília. Na capital federal assinou um acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para implantação da nova sede.   No Rio, ele se reuniu com o presidente da Fiocruz, Paulo Buss, para falar da participação da fundação no acordo de cooperação entre os dois países, assinado em setembro do ano passado, que prevê a instalação de uma fábrica de medicamentos em Maputo, que irá produzir anti-retrovirais (remédios utilizados no tratamento contra aids). Para Buss, o acordo tem dupla importância. "Primeiro, para a Fundação Oswaldo Cruz que viverá a primeira experiência de atuar no exterior, num território completamente diferente. Por último, é a dimensão para política externa do Brasil. Uma das maiores demandas que os países colocam durante as visitas brasileiras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o apoio em saúde. É o tema que mais preocupa os países. Aí o Brasil tem muito a dar", disse ele.   Por enquanto, a sede da Fiocruz ficará na Casa do Brasil, um espaço de cultura e arte, até que sejam alugadas outras instalações. A instituição brasileira será responsável por toda a cooperação entre Brasil e África, principalmente com os países de língua portuguesa.   Estão previstas, entre outras atividades da fundação, a instalação de uma fábrica de anti-retrovirais e outros medicamentos em Moçambique e a formação de recursos humanos. "Hoje temos um mestrado em Angola, em saúde pública, um em Moçambique, de laboratório, e um doutorado em Cabo Verde e Guiné Bissau. A idéia é formar os primeiros 43 alunos esse ano e depois abrir uma turma de doutorado para 12 alunos", enumerou o coordenador de Cooperação Internacional da Fiocruz, José Roberto Ferreira.   Pesquisadores da fundação já concluíram o estudo de viabilidade para a instalação da fábrica de medicamentos em Maputo, que tem o custo estimado de R$ 35 milhões, mas ainda dependem de uma fonte de financiamento internacional.   O Ministério das Relações Exteriores se comprometeu a comprar da Fiocruz os primeiros medicamentos anti-retrovirais, que serão enviados para a África e serão embalados na nova fábrica. A previsão é que ela comece a operar no início de 2009.   Numa segunda etapa, pesquisadores da Fiocruz farão transferência de tecnologia, para que esses medicamentos possam ser totalmente produzidos em continente africano. Moçambique é um dos países com o maior número de infectados por HIV na África - 16% da população é soropositiva e, em algumas regiões, chega a ser 25%.

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