Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

Fiocruz Amazônia cria teste rápido de detecção das novas variantes do coronavírus

O Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas será o primeiro a usar o novo ensaio, que seguirá depois para Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio de Janeiro e outros locais interessados

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2021 | 15h20

Pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) desenvolveram uma ferramenta para a detecção rápida de linhagens do novo coronavírus de maior importância em circulação no Brasil, por meio do exame RT-PCR

Diante da importância de maior vigilância genética da covid-19 no País, o teste desenvolvido ajudará a controlar a disseminação de cepas ao contribuir para o acompanhamento das linhagens que circulam nas cidades. O ensaio foi desenhado para detectar uma deleção que existe em todas as variantes do vírus, como a brasileira, a da África do Sul e a do Reino Unido.

"A principal vantagem do novo ensaio que estamos utilizando no laboratório é que ele permite diferenciar logo se é uma das variantes. Com essa detecção, a gente consegue direcionar melhor o sequenciamento. Como nós temos um predomínio hoje da P1 no Amazonas, ela nos ajuda a ver exatamente qual é a frequência em relação a outras linhagens já conhecidas no Estado", afirma o pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca.

O pesquisador afirma que existem outros protocolos semelhantes, mas este foi validado frente a 87 amostras já sequenciadas, o que dá uma confiança muito grande no resultado. Ainda segundo Naveca, a tecnologia permite a análise de centenas de amostras diariamente. "O protocolo de PCR em tempo real é muito mais fácil e direto do que o sequenciamento”, afirma. O pesquisador, contudo, não informou a quantidade exata.

A nova tecnologia será disponível, em breve, para diversos laboratórios brasileiros. Conforme a Fiocruz Amazônia, o Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen-AM) será o primeiro a usar o produto, que depois seguirá para Rondônia, Roraima, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio de Janeiro e outros laboratórios interessados.

“A gente não tem condições de atender a todos, no primeiro momento, porque a quantidade dos insumos comprados não são suficientes para mandar para o Brasil inteiro, mas com essa validação agora em maior escala, poderemos ter isso em maior quantidade. A Fiocruz já tem uma decisão de incluir esse ensaio no diagnóstico, então, além do diagnóstico dizendo se é Sars-CoV-2 ou não, também, já vai incluir a diferenciação para avaliar se é uma das três variantes de importância", explica o pesquisador.

Variantes no Brasil

Em 12 de janeiro, o ILMD/Fiocruz Amazônia confirmou a identificação de uma nova linhagem do vírus da covid-19 com origem no Amazonas. Um estudo liderado por Naveca apontou que a nova cepa brasileira era recente, provavelmente surgida entre dezembro de 2020 e janeiro deste ano.

Denominada P1, a variante brasileira do Sars-CoV-2 é a que foi identificada pelo Japão em quatro viajantes (um homem e uma mulher adultos e duas crianças) que retornaram da região amazônica brasileira em 2 de janeiro. O homem chegou a ser hospitalizado, por dificuldades respiratórias, enquanto a mulher e uma das crianças (um menino) tiveram sintomas leves e a menina esteve assintomática.

"A evolução nos vírus é uma coisa já esperada. O Sars-CoV-2 até evolui mais lentamente do que outros vírus RNA, porque tem propriedade de fazer controle disso. Essa variante descoberta no Japão (em viajantes que retornaram do Amazonas) chama muito a atenção, assim como as variantes inglesa e africana, porque acumularam muitas mutações em pouco tempo acima do que estávamos vendo até o momento", afirma o pesquisador.

Pioneiros no sequenciamento genético do Sars-CoV-2 na região norte do País, até 13 de janeiro, Naveca e sua equipe já tinham sequenciado 250 genomas de amostras provenientes do Amazonas, sendo 177 provenientes de Manaus e outros 73 de 24 municípios do Estado.

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