Diego Vara/Reuters
Diego Vara/Reuters

Fiocruz anuncia que até o fim de março serão entregues 3,8 milhões de doses da vacina de Oxford

O anúncio foi feito após reunião na direção da instituição com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello,  e o governador do Piauí (PT), Wellington Dias, que preside o fórum dos governadores

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2021 | 12h14
Atualizado 08 de março de 2021 | 23h26

RIO - A Fiocruz anunciou na manhã desta segunda-feira, 8, o início da produção em grande escala, no Brasil, da vacina de Oxford/AstraZeneca. Pelo menos 3,8 milhões de doses serão entregues até o fim deste mês. Pelo calendário da instituição, até meados deste ano, a instituição espera já ter produzido 100 milhões de doses.

O anúncio foi feito após reunião na direção da instituição com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello,  e o governador do Piauí (PT), Wellington Dias, que preside o fórum dos governadores. O encontro ocorreu no laboratório BioManguinhos, na zona norte do Rio, onde as vacinas são produzidas.

Em pronunciamento após a reunião, Pazuello disse que até o fim de março o País contará com 25 milhões a 28 milhões de doses de vacinas contra a covid-19. A maior parte será da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, e da Oxford/AstraZeneca, na Fiocruz. Foi a quarta estimativa diferente do Ministério da Saúde sobre o total de imunizantes disponíveis até o fim de março.

“Nosso objetivo é ter em março, próximo aí a 25 milhões, 28 milhões de doses já realmente entregues para que a gente cumpra o Plano Nacional de Imunização”, disse Pazuello. “Se não tivermos uma produção nacional como a que temos hoje no Butantan e na Fiocruz, nós não vamos ter condições de vacinar em massa o nosso País.”

Pazuello explicou que a previsão do número de doses disponíveis em março vem mudando porque o Laboratório Serum, da Índia, atrasou a entrega do insumo farmacêutico ativo (IFA) para a produção da vacina de Oxford/AstraZeneca. Como houve o atraso na entrega do IFA, a AstraZeneca determinou a liberação de 12 milhões de doses já prontas da vacina para o Brasil. Essas doses também vêm do Laboratório Serum, que tem adiado a entrega. Até agora, apenas 4 milhões delas chegaram ao País.

“Nessa negociação, vamos ter que fazer uma pressão política, diplomática e até pessoal nossa com a AstraZeneca para que o Laboratório Serum cumpra a entrega dos oito milhões que faltam", disse Pazuello. “Neste momento, a Índia dificultou o processo porque proibiu a exportação.”

Pazuello informou ainda que o governo está tentando adiantar a entrega dos 9,1 milhões de doses de vacinas que deveriam chegar ao País até maio por intermédio do consórcio da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em outra frente, o governo negocia mais 10 milhões de doses da vacina de Oxford/AstraZeneca estocadas na fábrica do laboratório nos Estados Unidos, onde esse imunizante não está sendo usado.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), presidente do Fórum Nacional dos Governadores, que havia proposto um pacto nacional dos executivos dos Estados para enfrentar a pandemia à revelia do governo federal, adotou um tom mais brando diante de Pazuello.

“A coordenação é do governo federal. Viemos aqui pedir todo o apoio para acelerar a vacinação, que é uma questão de vida e morte”, afirmou Dias. “Apelamos também ao ministro para disponibilizar profissionais de saúde para algumas regiões onde já estamos tendo dificuldade para achar profissionais.”

Segundo o governador, ao longo da semana serão decididas ações conjuntas para conter a transmissão do vírus enquanto a vacinação em massa não é possível.

“De hoje até domingo vamos uniformizar essas medidas; precisamos conter a transmissão porque estamos com uma mortalidade diária muito acima da média mundial”, disse.

A Fiocruz concluiu no fim de semana a produção dos lotes de validação de sua primeira linha de produção da vacina de Oxford/AstraZeneca. Os testes verificam, por exemplo, se há alguma contaminação dos frascos na linha de produção, se o volume envasado está calibrado corretamente, se a temperatura de todo o processo é a correta, entre outras variáveis.

Um problema técnico em uma das máquinas atrasou a produção por uma semana. Mas, segundo a Fiocruz, não teve impacto no número de doses a ser entregue até o fim deste mês. Os testes de validação da segunda linha de produção começam nesta semana.

Inicialmente a produção da Fiocruz será de 250 mil a 300 mil doses por dia, mas a produção deve chegar a um milhão diário até abril, quando cada uma das duas linhas de produção estará funcionando em dois turnos. Com isso e mais a produção do Butantan a oferta de vacinas no País será uniformizada.

A Fiocruz informou também que já enviou à Anvisa toda a documentação necessária para o registro definitivo da vacina.

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