Rafiq Maqbool/AP
Rafiq Maqbool/AP

Fiocruz recebe mais insumos dia 22, mas produção de vacina para por 'alguns dias'

Quantidade de IFA disponível na Fiocruz sustenta a produção até a próxima semana e garante entregas do início de junho

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2021 | 21h56
Atualizado 14 de maio de 2021 | 22h13

RIO - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) receberá no dia 22 de maio mais uma remessa de Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção da vacina contra a covid-19 desenvolvida pela farmacêutica AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford e fabricada no Brasil pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), da Fiocruz. Outra remessa segue prevista para o dia 29 de maio. 

A quantidade de IFA já disponível na Fiocruz sustentará a produção até a próxima semana e garante as entregas até a primeira semana de junho. Com as novas remessas, as entregas das três primeiras semanas de junho também estarão asseguradas.

Para esta sexta-feira (14) está prevista a entrega de mais 4,1 milhões de doses da vacina ao Ministério da Saúde, totalizando 34,3 milhões de doses disponibilizadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), o equivalente a mais de 40% dos imunizantes para a covid-19 disponíveis no país – o restante, que corresponde à maior parte, é da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo. 

Até a chegada do IFA “haverá uma interrupção na produção de alguns dias na próxima semana”, segundo a Fiocruz. É possível que isso provoque algum impacto na entrega das doses, informa a instituição. O cronograma de entregas permanece semanal, sempre às sextas-feiras, conforme pactuado com o Ministério da Saúde, seguindo a logística de distribuição definida pela pasta.

No momento estão sendo processadas no Centro Tecnológico de Vacinas – CTV de Bio-Manguinhos um milhão de doses da vacina por dia, e a instituição segue avaliando alternativas para aumentar a capacidade de produção.

Cronograma divulgado em janeiro previa 14 lotes de matéria-prima

O cronograma divulgado pela Fiocruz em 23 de janeiro previa o recebimento de 14 lotes de IFA, sendo os dois primeiros em janeiro e os demais com intervalo de duas semanas a partir dali. Cada lote teria princípio ativo suficiente para fabricar 7,5 milhões de doses. Os 14 lotes permitiriam produzir 105 milhões de doses, mas o previsto no cronograma era um pouco menos: 100,4 milhões até julho. Se o segundo lote de janeiro chegasse no último dia do mês e fosse mantido o intervalo de um lote a cada duas semanas, em 23 de maio o Brasil deveria receber o décimo lote. Em vez disso, no próximo dia 22 será recebido o nono lote. Todos vieram da China, país que é frequentemente acusado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seus aliados de ter criado e disseminado o vírus por interesses econômicos.

Segundo a Fiocruz, o primeiro lote de IFA estava “pronto para embarque, apenas aguardando a emissão da licença de exportação e a conclusão dos procedimentos alfandegários” em 23 de janeiro. Mas só chegou ao Brasil em 6 de fevereiro. Foram 88 litros de IFA, suficientes para produzir 2,8 milhões de doses. Em 27 de fevereiro chegaram mais dois lotes, que proporcionaram a fabricação de 12,2 milhões de doses. Em vez de dois lotes em janeiro e dois em fevereiro, a Fiocruz recebeu três lotes em fevereiro.

Em 1 de março a Fiocruz anunciou um novo cronograma que previa três lotes em março, três em abril, quatro em maio e um em junho – com os três de fevereiro, seriam 14 ao todo.

Uma remessa de IFA programada para chegar ao Brasil em 13 de março acabou atrasando, “por conta da emissão da licença de exportação pelas autoridades chinesas e a conclusão dos procedimentos alfandegários”, segundo a Fiocruz, e só chegou ao País em 25 de março, com cerca de 230 litros, suficientes para produzir seis milhões de doses. No final de semana de 27 e 28 de março a Fiocruz recebeu mais dois lotes do mesmo tamanho: 230 litros, suficientes para seis milhões de doses. Assim foram cumpridos os três lotes de março e se chegou a seis no total.

Em abril chegaram à Fiocruz dois lotes de IFA: o primeiro no dia 2, com 225 litros, suficientes para produzir 5,3 milhões de doses, e o segundo no dia 24 (364 litros, capazes de gerar 8,9 milhões de doses). Os próximos lotes previstos devem chegar em 22 e 29 de maio.

Questionada sobre o cronograma, a Fiocruz informou que “as remessas de IFA têm chegado continuamente” e que as duas remessas de maio vão garantir entregas semanais de doses até a terceira semana de junho. Até o momento não houve interrupção na produção por conta de insumo, garante a instituição.

Segundo a Fiocruz, o IFA vem sempre da China, do mesmo fabricante, que já teve o local de produção certificado pela Anvisa. As remessas de IFA fazem parte de um acordo entre a Fiocruz e a farmacêutica AstraZeneca, “que vem atuando diretamente junto ao fabricante do IFA na China e as autoridades locais competentes, e conta com o apoio da diplomacia brasileira e do Ministério da Saúde”.

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