Fiocruz testa inseticida natural contra mosquito da dengue

Um inseticida natural, que atua sem causar qualquer tipo de efeito tóxico aos demais seres vivos, é a nova alternativa para eliminar o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. A descoberta, feita por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é fundamental para o combate à doença, que não tem vacina, e, pode levar à morte - foram 64 no ano passado. O produto, que já tem patente e vai agora ser testado em campo, foi desenvolvido a partir moléculas lipídicas produzidas pelas plantas durante seu metabolismo, chamadas lignanas. Neste caso, as secretadas pela Piper Solmsianum, espécie nativa da mata atlântica, que não é prejudicada na extração. Juntos, a bióloga Marise Maleck e o entomologista Anthony Érico detectaram que o extrato vegetal, quando em contato com as larvas do mosquito, consegue eliminá-las completamente. ?A eficácia é de 100%. E há a vantagem de não causar nenhuma ação negativa ao meio ambiente, ao homem e aos demais seres vivos. O biocida pode ser aplicado em qualquer tipo de reservatório?, ressalta Érico, lembrando que as larvas do mosquito se proliferam em águas paradas e limpas. Os larvicidas existentes hoje, acrescenta ele, são também eficientes, mas acarretam algum efeito tóxico, ainda que baixo, por serem químicos ou biológicos. A lignana utilizada no inseticida natural da Fiocruz foi isolada pelo pesquisador Massuo Kato, da USP. Estudos anteriores apontaram seu potencial para fármacos, pois tem ação antioxidante, analgésica, antiinflamatória e anticancerígena, além de efeitos tóxicos contra o Tripanossoma cruzi, causador do mal de Chagas.

Agencia Estado,

15 de fevereiro de 2007 | 10h15

Tudo o que sabemos sobre:
notícia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.