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Fiocruz vai testar vacina contra esquistossomose no Senegal

Doença afeta cerca de 200 milhões de pessoas no mundo, em especial, no continente africano; 19 Estados no País apresentam casos

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2016 | 12h11

RIO - Depois de 40 anos de pesquisas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) desenvolveu e começará a testar no mês que vem a primeira vacina contra esquistossomose do mundo. Será em uma ilha no Senegal, país onde a doença é endêmica. A expectativa é que o produto, já testado em pessoas saudáveis no Rio, esteja pronto para ser usado em larga escala daqui a três anos. A enfermidade, popularmente conhecida como barriga d’água, por provocar a dilatação do abdome, infecta 200 milhões de pessoas no mundo, em áreas pobres, sem saneamento básico. 

A vacina põe o Brasil em posição de vanguarda na área de imunizações. Este será o primeiro imunizante já criado para uma doença parasitária, e é considerado prioritário pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Quando tratamos de doenças negligenciadas, o grande desafio é que elas não interessam à indústria farmacêutica, que tem sede em países onde a população não é atingida. O interesse não é econômico, é social. A relevância é mundial”, afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Outro dado de ineditismo é o fato de ser a primeira vez que uma vacina parasitária feita com tecnologia brasileira chega à segunda fase de testes clínicos, ou seja, envolve pessoas expostas ao parasita. Na primeira etapa, 30 voluntários sem contato prévio com a esquistossomose receberam a substância, no câmpus da Fiocruz, no Rio. A instituição está trabalhando em parceria com a empresa brasileira Orygen Biotecnologia.

A ilha senegalesa de Saint Louis foi escolhida por ser uma área de alta prevalência da esquistossomose e porque lá existem dois tipos de parasitas. A vacina será ministrada por uma ONG do fim de setembro até dezembro, primeiro em 350 adultos, e depois em crianças. Serão testadas eficácia e segurança. Uma vantagem de realizar os testes lá é reproduzir um cenário real: o Senegal será um dos países em que a vacina será usada depois de aprovada.

Há três anos, entre cem projetos candidatos, a OMS selecionou esta e outras cinco pesquisas julgadas prioritárias para melhorar as condições de saúde nos países mais pobres do mundo. A esquistossomose é endêmica em 74 nações, onde vivem 800 milhões de pessoas. No Brasil, está presente em 19 Estados, em especial na Região Nordeste, no Espírito Santo e em Minas. 

A enfermidade provoca fraqueza, febre, diarreia e vômitos; nos casos mais graves, o doente pode ter fibrose no fígado, aumento no baço e dilatação do abdome. A progressão do quadro pode levar a pessoa à morte.

Histórico. O marco inicial do trabalho, financiado pela Fiocruz e por entidades públicas de fomento a pesquisas, é o ano de 1975. Foi quando se descobriu a molécula da proteína Sm14 do Schistosoma (causador da esquistossomose), que agora dá nome à vacina. O efeito do imunizante é estimular a produção de anticorpos e interromper o ciclo de vida do parasita no organismo humano.

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