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Físicos do Cern terminam ano em busca da 'partícula divina'

Cientistas analisam dados produzidos pelo LHC durante todo o ano; colisor será desligado hoje e voltará a funcionar em março de 2012

Efe

07 de dezembro de 2011 | 10h00

GENEBRA - Os cientistas do Centro Europeu para Pesquisas Nucleares (Cern) planejam passar as últimas semanas do ano analisando com entusiasmo uma enorme quantidade de dados obtidos pelo Grande Colisor de Hádrons, e com isso esperam encontrar o Bóson de Higgs, apelidado de "partícula divina".

 

Os pesquisadores acreditam que em breve terão os primeiros resultados das investigações. "A análise dos dados anda bem. Estamos verificando as fontes que poderiam ocasionar erros sistêmicos", explicou Javier Cuevas, professor de Física Atômica da Universidade de Oviedo e pesquisador do Cern encarregado de descobrir o Bóson de Higgs.

 

O entendimento deste elemento explicaria as interações entre as partículas e as forças que atuam entre elas, o que possibilitaria entender a origem da massa. Só há um pequeno problema: nenhum cientista até hoje viu esta partícula, cuja existência postulada por Peter Higgs em 1964.

 

Para tentar observá-la e chegar o mais próximo da matéria, o Cern construiu o Grande Colisor de Hádrons, mais conhecido por sua sigla, LHC, um equipamento de 27 quilômetros de circunferência dotado de quatro gigantescos detectores de dados enterrados entre 50 e 150 metros, em um túnel construído nos anos 80 para o acelerador anterior.

 

Entre os aparatos de análise de dados, o CMS e o Atlas têm a missão de descobrir qualquer partícula nova, ou seja, buscam essencialmente o Bosón de Higgs.

 

Ambos os detectores trabalham para observar a partícula, e se um deles o fizer, o outro serve para comparar o resultado. O sucesso do LHC tornaria possível determinar, por exemplo, do que é composta a matéria escura, que os físicos calculam que representa 20% do Universo.

 

A matéria que podemos ver, como estrelas, galáxias e outros planetas, não representa 4,5% da matéria, explica Javier Cuevas. Uma maior compreensão desses mistérios possibilitaria aos cientistas entender do que são feitos os buracos negros.

 

Acredita-se que a "partícula divina" ainda não foi encontrada "pois a energia necessária para torná-la visível não foi produzida", segundo María Chamizo, responsável pela coleta de dados do CMS. Em 2011, energia parecida foi atingida no LHC, ao se acelerarem feixes de prótons em sentidos opostos a 99,9% da velocidade da luz.

 

Os choques entre eles geraram uma enorme quantidade de outras partículas, nas quais os físicos esperam encontrar a teoria de Peter Higgs. No dia 7 de dezembro, o LHC será desligado para manutenção técnica e só voltará a funcionar em março de 2012.

 

"Temos uma quantidade de dados cinco vezes maior do que esperávamos no começo do ano. O acelerador e os detectores funcionaram muito bem. Muitas vezes achamos que descobrimos uma partícula nova, mas isso ainda não foi concretizado. E em 2012, poderemos ter entre três e quatro vezes mais dados", comemorou María. 

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