Alex Silva/Estadão
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Flexibilização no uso de máscaras pode trazer consequências graves; leia análise

Liberação ocorre às vésperas de festas e eventos com aglomeração de pessoas, mesmo que ao ar livre

Raquel Stucchi*, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2021 | 05h00

Apesar de o Brasil estar, neste momento, com redução muito significativa nas internações pela covid-19 e uma redução expressiva dos óbitos, nós desconhecemos qual é a real transmissão do vírus entre nós, porque o País testa muito pouco. Temos a expectativa de termos festas e eventos que levam a uma aglomeração de pessoas, mesmo que ao ar livre. As confraternizações de final de ano, o réveillon, as férias de janeiro e o carnaval.

Neste momento, e principalmente porque nós ainda não alcançamos 80% da população não apenas totalmente vacinada, mas vacinada há menos de seis meses, considero que não é adequada a liberação do uso de máscaras. As máscaras ao ar livre, sem aglomeração, a rigor, não são necessárias. Mas a liberação do uso de máscaras pode fazer com que o entendimento das pessoas de quando usar máscaras fique da conveniência de cada um.

O conceito do que é aglomeração vai ficar muito frouxo, e isso vai permitir com que nós tenhamos uma possibilidade de aumentar a transmissão do vírus, elevando o risco do aparecimento de novas variantes. A flexibilização neste momento pode trazer consequências graves.

Que ao menos os gestores, que consideram que os índices atuais justificam a flexibilização no uso de máscaras, se preocupem em disponibilizar testes para diagnóstico de covid. O Brasil é hoje o 125º país em testagem da sua população, isso é muito pouco. Talvez consideramos que a situação está muito boa porque não conhecemos a situação que estamos vivenciando no momento.

*INFECTOLOGISTA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)

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