FOTO:DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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“Foi uma surpresa”, diz Teich sobre modelo de isolamento rejeitado por Estados e municípios

Teich disse que, no fim de semana, tratou do assunto com representantes dos conselhos e que houve consenso de que as medidas seriam anunciadas para balizar e orientar cada gestor local a tomar suas decisões

André Borges, Julia Lindner e Mateus Vargas, Brasília

11 de maio de 2020 | 19h37

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Nelson Teich, disse que foi surpreendido nesta segunda-feira, 11, com a rejeição do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), órgãos que os representantes de Estados e municípios junto do Ministério da Saúde, sobre a adoção de uma matriz de isolamento social elaborada pela pasta. 

Teich disse que, no fim de semana, tratou do assunto com representantes dos conselhos e que houve consenso de que as medidas seriam anunciadas para balizar e orientar cada gestor local a tomar suas decisões. “No sábado, quando a gente terminou a reunião, aparentemente havia um consenso. Fui surpreendido hoje, com algumas notas de jornal, mostrando que esse não era o cenário de hoje”, comentou.

O posicionamento dos conselhos foi revelado pelo Estado. Segundo Teich, “a argumentação que foi colocada hoje foi diferente da que foi colocada para mim na semana passada”, disse, em relação aos gestores dos conselhos. 

“Para mim foi uma surpresa enorme. No sábado, a discussão foi absolutamente técnica. O que me foi passado é que havia um consenso. Naquele momento, não tinha um posicionamento, um questionamento, alguma crítica, como a que a gente teve hoje do Conass em relação ao modelo”, declarou.

Após as declarações de Nelson Teich, o presidente do Conass, Alberto Beltrame, disse que a apresentação feita pelo ministério foi “incompleta e titubeante” e que a pasta “esquivou-se das perguntas, adiando maiores detalhes para quarta-feira”.

Beltrame disse que o Conass cobrou uma posição clara do ministério sobre a necessidade do distanciamento social, mesmo de modo regional, face à situação de colapso instalada em Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, São Luís e Rio de Janeiro, por exemplo. “Além disso, foi cobrada a realização de uma campanha de mídia, nacional, que se somasse às ações dos estados e municípios”, declarou.

“O ministério reconheceu que não temos informações nem na saúde, nem fora dela. Como tomar decisões graves sobre afrouxamento do distanciamento social, já revelado útil e necessário em todo o mundo, sem informações sólidas?”, questiona.

Para o presidente do Conass, há riscos de se confundir ainda mais a população, com informações conflitantes sobre a importância de se atingir um distanciamento social adequado e necessário. “O Ministério da Saúde não tem capacidade de monitoramento das informações em tempo real”, declarou. “Ele insiste que vai levar à pactuação de Conass e Conasems... O risco é causar dubiedade sobre a mensagem de isolamento social, ou seja, incentivar a população a sair de casa.”

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