Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Folião deve evitar bloco de rua por causa do novo coronavírus? Especialistas respondem

Médica vê chance maior de propagação de doenças já conhecidas, como a gripe; Prefeitura de SP terá tendas de atendimento médico

Isaac de Oliveira, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 12h00

SÃO PAULO - Em muitas cidades do País, o fim de semana ainda é de carnaval e de blocos nas ruas. Mas, com a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, surgiu o receio: é preciso evitar aglomerações ou dá para curtir a folia? Especialistas afirmam que a transmissão da doença vinda da China é possível, com a chegada de viajantes de áreas onde já existe surto, mas a chance maior é de contrair outros vírus respiratórios mais comuns, como a influenza. Por enquanto, as autoridades de saúde pública não vetaram a realização de eventos ou deram recomendações expressas de evitar a festa. Em regiões onde já existe epidemia da nova doença, eventos foram cancelados, como ocorreu com o tradicional carnaval de Veneza, na Itália.

Aqui no Brasil, o secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos Reis, disse que a pasta não recomenda o cancelamento de eventos, como jogos esportivos ou blocos de pré-carnaval. Mas, segundo ele, deve prevalecer o "bom senso" e as pessoas que têm sinal de doença respiratória devem evitar locais com aglomeração.

Professora de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Nancy Bellei afirma que a disseminação da influenza, já conhecida pelos brasileiros, deve aumentar nas próximas semanas. Para quem vai para a rua, cuidados devem ser tomados, como se afastar de quem tosse ou espirra, pois mesmo no estágio de incubação pode haver transmissão. “Em ambientes abertos, como blocos, a questão é mais o contato próximo. Com gotícula, secreção, o contágio é mais difícil do que em ambientes fechados”, diz ela, também consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.

O virologista Pedro Vasconcelos também avalia risco maior de contrair outras doenças, como a própria influenza e o sarampo. “Este é o período sazonal da gripe e ela tende a um aumento. A concentração num determinado espaço físico, como é o caso do carnaval, em que as pessoas estão em blocos ou agrupadas em arquibancadas, cria a tendência de que aumente o risco de transmissão de doenças com transmissão respiratória”, diz Vasconcelos, do Instituto Evandro Chagas.

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Por causa da identificação do novo coronavírus no Brasil, o governo federal decidiu antecipar a campanha de imunização contra gripe, que vai começar em 23 de março. O imunizante não previne contra a nova doença, mas vai facilitar a identificação dos casos do coronavírus chinês pelos profissionais de saúde. Nos últimos anos, autoridades de saúde pública também têm alertado para a queda nas taxas de vacinação contra sarampo, que também pode levar à morte e tem um potencial de contaminação bem mais alto. Um infectado pelo Covid-19, o novo coronavírus, costuma infectar, em média, outras duas ou três pessoas. Já em relação ao sarampo, essa taxa sobe para 18.

Prefeitura de SP vai montar tendas de atendimento durante o pós-carnaval

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informou que durante o pré-carnaval terá postos médicos montados e disponíveis para a população nos locais de grande concentração durante os desfiles. No domingo, 1º, haverá dois megablocos - da funkeira Anitta e da cantora de axé Daniela Mercury. Segundo a pasta, as tendas serão abertas duas horas antes dos eventos e fechadas quando a Polícia Militar encerrar a programação do local.

Cada posto contará com profissionais da saúde, médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que estarão à disposição da população para atendimentos pontuais e  a indicação de unidades de saúde específicas, caso seja necessário atendimento. Além disso,  conforme o Município, os profissionais de saúde também foram capacitados para orientar o folião sobre os cuidados e a prevenção quanto ao novo coronavírus. No fim de semana, também haverá no Anhembi, na zona norte da capital paulista, o desfile das escolas de samba vencedoras do carnaval 2020. / COLABOROU FELIPE RESK

 

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