Fósseis dentais são o registro mais antigo do 'Homo sapiens' na Europa

Segundo pesquisadores, dois dentes de leite tinham sido encontrados em 1964, no sul da Itália, no entanto se acreditava que eram de Neandertais; objetos têm entre 43 mil e 45 mil anos

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Por Efe
Atualização:

Dois dentes de leite encontrados em uma caverna italiana, com idade estimada entre 43 mil e 45 mil anos, se tornaram os fósseis mais antigos do "Homo sapiens" na Europa, confirmou nesta última quarta-feira, 2, uma equipe internacional de pesquisadores. A descoberta, que contou com a participação do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, confirma que a passagem do "Homo sapiens" à Europa e que sua coexistência com os Neandertais duraram "milhares de anos a mais do que se pensava". Foi o que explicou o principal autor do estudo, o pesquisador Stefano Benazzi da Universidade de Viena, em comunicado divulgado nesta quarta-feira pelo CSIC. "Isso tem importantes implicações no entendimento do desenvolvimento do comportamento do humano moderno". Os dentes foram achados em 1964 na caverna pré-histórica de Grotta del Cavallo, ao sul da Itália, lar dos Neandertais até sua substituição pelos "Homo sapiens", o que levava os cientistas a pensar que as peças pertenciam a seus primeiros habitantes. A caverna contém sete metros de depósitos arqueológicos que datam do período em que as duas espécies conviveram, e os dentes foram encontrados nas camadas que contêm restos da cultura Uluziana, que até o momento era relacionada aos Neandertais. Contudo, agora os cientistas atribuem essa cultura aos "Homo sapiens" graças à nova pesquisa, considerada "mais completa e exaustiva" do que a realizada nos anos 1960, além de ser baseada em comparar modelos digitais dos dentes achados na caverna com uma ampla mostra dentária das duas espécies. "O próximo passo será descobrir se a cultura Uluziana apareceu e evoluiu devido ao contato com humanos anatomicamente modernos ou se é uma simples evolução do Musteriense, produzido por Neandertais", explicou o pesquisador Michael Coquerelle, do CSIC. 

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