Fóssil de pinguim peruano dá pistas sobre evolução

As penas preservadas de um fóssil de pinguim gigante, descoberto na costa do Peru, fornecem uma pista sobre o período Eoceno e sobre como as espécies evoluíram a partir de seu estado moderno primitivo, afirmaram paleontólogos.

EMILY SCHMALL, REUTERS

05 Outubro 2010 | 16h28

"Sem dúvida este é o espécime mais completo de um pinguim antigo que existe", afirmou Rodolfo Salas-Gismondi, paleontólogo chefe e diretor do Museu de História Natural da Universidade de San Marcos, em Lima.

Os paleontólogos calculam a idade dos restos em 36 milhões de anos. Eles colocaram o nome de "Inkayacu paracasensis" no pinguim pré-histórico, que significa "imperador da água" na língua indígena de Quéchua.

O fóssil do esqueleto praticamente intacto permite que os cientistas compreendam a anatomia dos primeiros pinguins, disse Salas-Gismondi. A coloração do fóssil sugere que os pinguins nem sempre foram preto e branco.

"As penas que descobrimos são marrom-avermelhadas. Ele era bem grande e viveu em um período quando o planeta era muito quente, totalmente diferente dos pinguins de hoje. Esse espécime é muito importante para compreender a evolução dos pinguins modernos", disse Salas-Gismondi na segunda-feira.

Com uma altura estimada em 1,5 metro, a versão antiga da ave marinha superava em tamanho o pinguim imperador, a maior espécie dos tempos modernos.

Um jovem pesquisador se deparou pela primeira vez com os restos em 2006, quando estudava os hábitos das aves aquáticas na Reserva Nacional de Pachaca, 280 quilômetros ao sul de Lima.

Salas-Gismondi, que liderou uma escavação em 2007, afirma que o esqueleto foi preservado sob uma camada protetora de sedimentos, em um ambiente anaeróbico quando as temperaturas do mundo atingiram o seu pico mais alto.

Os dentes de uma baleia pré-histórica e cartilagem de tubarão de milhões de anos já foram descobertos perto de Paracas.

Os achados foram divulgados na edição de 30 de setembro da revista Science.

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