Foto de paciente aumenta eficiência de tomografias

Radiologistas sentem mais empatia por pacientes e passam a apresentar mais detalhes nos exames

AP

02 de dezembro de 2008 | 20h12

Imagine ficar sentado em uma sala escura o dia todo, avaliando tomografias e outras imagens médicas na tela de um computador, mas nunca tendo contato com os pacientes de verdade. Essa é a vida de muitos radiologistas.  Mas um intrigante estudo israelense descobriu que colocar fotos dos rostos de pacientes nas fichas torna esses médicos mais meticulosos quando analisando os raios X. Eles reportaram mais detalhes e disseram sentir mais empatia pelos pacientes que, de outra forma, eram somente estranhos. Colocar fotos de pacientes é uma maneira simples de colher vantagens tanto para pacientes quanto para médicos, concluíram os pesquisadores.  Diversos especialistas não envolvidos com o estudo concordaram, embora o médico James Thrall, da American College of Radiology, tenha dito que tornar isso uma prática comum nos Estados Unidos pode ser difícil, por causa das leis de privacidade.  Além disso, os benefícios de incluir as fotos podem desaparecer quando a novidade da prática passar, disse. Ainda assim, ele deu mérito à pesquisa.  O estudo envolveu 15 radiologistas no Centro Médico Shaare Zedek, em Jerusalém, e 318 pacientes que concordaram em ser fotografados antes de fazer uma tomografia. As imagens coloridas abriam automaticamente quando os médicos abriam os arquivos dos pacientes.  O foco do estudo não era as doenças que os exames tinha que identificar, mas as descobertas acidentais de normalmente aparecem em tomografias, como cistos nos rins em pacientes que deveriam ser diagnosticados com apendicite. Os médicos reportaram essas descobertas a mais em 81 exames, quando as fotos foram incluídas.  Três meses depois, os médicos reviram, sem saber, esses mesmos exames, mas sem as fotos dos pacientes. Desta vez, eles não identificaram 80% dos diagnósticos extra.  "Nós vemos, mas nem sempre reportamos" esses achados acidentais, particularmente se eles não são considerados algo que deva afetar a saúde do paciente, disse a radiologista Irith Hadas-Halpern. Ainda assim, normalmente são coisas que o paciente gostaria de saber ou que poderiam afetá-lo ao longo da vida, acrescentou. O estudo está sendo lançado nesta terça-feira, 2, na reunião da Radiological Society of North America.

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