Aly Song/Reuters
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França anuncia a primeira morte por coronavírus fora da Ásia

Ministra da Saúde francesa disse que o homem era um turista chinês de 80 anos de Hubei, hospitalizado desde 25 de janeiro no país europeu; além da China, mortes foram registradas no Japão e nas Filipinas

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2020 | 08h12

A França anunciou a primeira morte por coronavírus fora da Ásia, neste sábado, 15. A ministra da Saúde francesa, Agnès Buzyn, disse que o homem, de 80 anos, era da província chinesa de Hubei, epicentro do surto. O turista chinês chegou ao país em 16 de janeiro e estava hospitalizado no Hospital Bichat-Claude Bernard, em Paris, desde 25 de janeiro.

"Sua condição piorou rapidamente e ele esteve em estado crítico por vários dias", disse Buzyn em comunicado na televisão.

A ministra não nomeou o paciente. A filha do homem também está com a doença e segue hospitalizada em Paris, disse Buzyn, acrescentando que ela deve receber alta em breve.

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Até então, segundo as últimas atualizações, além de mais de 1.500 mortes na China, incluindo uma no território de Hong Kong, foram registradas duas mortes (uma nas Filipinas e uma no Japão - ambos países asiáticos). A China já tem 66.492 casos confirmados. Outros vinte países também têm casos confirmados.

O número de novos casos relatados diariamente tem sido maior nos últimos três dias, desde que os critérios foram alterados para incluir pacientes diagnosticados por meios que incluem raio-X de pulmão, e não apenas exames laboratoriais. A Comissão Nacional de Saúde da China informou 2.641 novas infecções confirmadas neste sábado. As novas mortes por coronavírus atingiram 143 nas últimas 24 horas, o segundo maior total em um único dia - 107 em Wuhan, o epicentro do surto. O órgão informou ainda neste sábado que já foram monitoradas mais de 513.183 pessoas, que estiveram em contato próximo com infectados, e 169.039 continuam em observação. 

No Brasil, quatro casos suspeitos são investigados. Além disso, no último domingo, 9, dois aviões da Força Aérea Brasileira com os 31 brasileiros que estavam na China, na província de Hubei, pousaram na Base de Anápolis. Nenhum passageiro apresentou sintomas da doença. Todos permanecem em quarentena.

Confira relatos escritos ao Estado por Caleb Guerra, de 28 anos, estudante de Literatura que morava em Wuhan.

O início 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional pelo surto do novo coronavírus. O vírus começou a circular no fim de dezembro em Wuhan cidade com 11 milhões de habitantes localizada na China Central. Os relatos inicias indicavam que uma 'doença misteriosa' estava infectando as pessoas rapidamente, desencadeando pneumonia. Em janeiro deste ano a China anunciou as primeiras mortes e na sequência o crescimento desenfreado de registros. Outros países passaram a relatar casos, como Tailândia, Austrália e Estados Unidos, e a adotar ações em portos e aeroportos.

O governo chinês decretou isolamento das cidades com grande número de casos. Dias depois, a prefeitura de Wuhan admitiu que 5 milhões dos 11 milhões de moradores haviam deixado a localidade antes do decreto de isolamento. Trens e voos para as cidades mais atingidas foram cancelados. Países como Estados Unidos, Japão e Brasil fretaram voos para retirar seus cidadãos da China.

Na quinta-feira, 6, morreu o médico chinês que teve problemas com as autoridades por alertar sobre o novo coronavírus, Ele foi internado, após ser diagnosticado com a doença. O Hospital Central Wuhan informou através de suas redes sociais que o médico Li Wenliang, que era oftalmologista e tinha 34 anos, "infelizmente contraiu a infecção durante a luta contra a epidemia de pneumonia". "Lamentamos profundamente." / NYT, AP e Dow Jones Newswires

O que significa uma emergência de saúde pública global?

Segundo o Regulamento Sanitário Internacional da OMS, acordo legal que envolve 196 países, uma emergência de saúde pública de interesse internacional é definida como “um evento extraordinário determinado que constitui um risco de saúde pública para outros Estados por meio da disseminação internacional de doenças e por potencialmente exigir uma resposta internacional coordenada”.

Quando uma emergência internacional é declarada, esforços sanitários, financeiros e científicos são ampliados para tentar conter o avanço da doença. Geralmente também são definidas diretrizes sobre quais medidas restritivas os países devem adotar quanto a viagens e comércio.

Ao declarar emergência pelo coronavírus, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, listou as seguintes recomendações aos países:

  • Não limitar o comércio e as viagens
  • Apoiar países com sistemas de saúde mais fracos
  • Acelerar o desenvolvimento de vacinas, tratamentos e diagnósticos
  • Combater a disseminação de rumores e desinformação
  • Revisar os planos de preparação, identificar lacunas e avaliar os recursos necessários para identificar, isolar e cuidar de casos, e impedir a transmissão para outras pessoas
  • Compartilhar dados, conhecimentos e experiências com a OMS e o mundo
  • Trabalhar juntos com solidariedade e cooperação

Esta é a sexta vez na história que a OMS declara esse status de emergência. A primeira vez foi durante o surto de gripe H1N1, em 2009. Motivaram ainda a declaração de emergência as epidemias de poliomielite (2014), zika (2016) e Ebola (duas vezes, em 2014 e 2019).

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