Christophe Ena/AP
Christophe Ena/AP

França recomenda remoção de implantes mamários suspeitos

De acordo com autoridades francesas, medida de precaução foi tomada por conta do alto índice de ruptura das próteses; 80% da produção da empresa era exportado

Reuters,

23 de dezembro de 2011 | 12h26

O governo francês recomendou nesta sexta-feira, 23, que dezenas de milhares de mulheres na França removam os implantes mamários feitos por um gel de silicone suspeito de uma empresa que exportou o produto mundo afora, a francesa Poly Implant Prothese (PIP).

A ministra da Saúde francesa, Nora Berra, disse que o governo recomenda a retirada destes implantes como medida de precaução, depois das denúncias por índices de ruptura excepcionalmente altos, mas acrescentou que não há provas que concluem o possível vínculo entre o silicone de baixa qualidade e o câncer.

O governo britânico disse que as mulhres não devem se apressar para remover seus silicones feitos na França, mas centenas delas acionaram advogados com reclamações de os implantes prejudicaram sua saúde.

Na Grã-Bretanha, estima-se que de 30 mil a 40 mil mulheres têm os implantes de gel de silicone fabricados pela companhia Poly Implant Prothese (PIP), que fechou as portas em 2010, gerando uma investigação na França sobre possível associação com o câncer.

Cerca de 300 mil implantes PIP, que são usados em cirurgia cosmética para aumentar o tamanho das mamas ou para substituir tecido mamário, foram vendidos ao redor do mundo antes da falência da empresa no ano passado.

A ministra afirmou que a remoção na França seria paga pelo sistema público de saúde nos casos em que o implantes iniciais foram realizados por razões médicas.

Associações de mulheres, no entanto, pedem que todas as operações, incluindo os casos puramente cosméticos, sejam financiadas pelo governo.

Fundada em 1991, a Poly Implant Prothese tinha sede no sul da França e durante um período foi a terceira maior fabricante de implantes do mundo, produzindo cerca de 100 mil por ano.

Cerca de 80% da produção era para exportação. As autoridades sanitárias ao redor do mundo dizem que analisarão com cautela na sexta-feira os resultados de um inquérito do Instituto Nacional do Câncer da França sobre uma possível associação dos implantes com casos de câncer.

A França registrou oito casos de câncer em mulheres com implantes mamários fabricados pela PIP, que é acusada de utilizar silicone de grau industrial, normalmente usado em computadores e utensílios de cozinha.

 

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