Friedemann Vogel/EFE/EPA
Friedemann Vogel/EFE/EPA

'Frase pessimista da OMS sobre vacina é mensagem para manter ações sanitárias', diz Opas

Organização Pan-Americana da Saúde explicou que a fala foi uma maneira de chamar atenção para a continuidade das medidas recomendadas contra o novo coronavírus

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 13h24

O diretor de Doenças Transmissíveis da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Marcos Espinal, esclareceu nesta terça-feira, 4, que a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que “talvez não exista” vacina contra covid-19 é uma forma de alertar os países para que continuem com as medidas não farmacêuticas recomendadas  no combate à pandemia. Atualmente, a entidade global aponta que são 164 vacinas em desenvolvimento, sendo 25 delas na fase de testes com seres humanos.

“Não é para entender como um ‘não vai haver’. Vão existir medicamentos, possivelmente vacina. Mas, até que tenhamos o resultado dos testes clínicos, não podemos tirar conclusões”, afirmou Espinal durante coletiva de imprensa do braço da OMS na América Latina. 

O diretor da Opas reforçou que é um chamado para a adoção das ferramentas de mitigação que estão disponíveis e funcionam no combate ao coronavírus, como distanciamento social, testagem, isolamento dos casos e rastreamento de contatos dos que foram infectados.

Ele acrescentou que também foi uma maneira de atrair atenção para o fato de que o desenvolvimento de imunização contra um vírus leva tempo. “Não podemos pensar que, porque temos 160 vacinas em estudo, já temos a solução”, afirmou.

Na segunda-feira, 3, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou que ainda não há e talvez nunca exista uma “bala de prata” contra a covid-19. “Há preocupação de que talvez não tenhamos uma vacina que funcione. Ou que a proteção oferecida possa durar apenas alguns meses, nada mais”, disse.

Para Espinal, é um pedido para que não sejam tiradas conclusões antes dos resultados. “Devemos lembrar, e creio que é também o que o diretor quis dizer, que temos um vírus muito famoso para o qual ainda não encotramos uma vacina: o HIV, causador da Aids”.

Pandemia no Brasil segue ‘crítica’

O diretor da Opas também avaliou que a pandemia no País segue “crítica” ao comentar sobre o número de mortes alcançar 100 mil nesta semana. Bahia, São Paulo e Brasília foram ressaltados como locais com grande quantidade de infecções e óbitos.

Ele observou que uma queda no número de novos casos de coronavírus nos últimos seis dias é uma notícia que traz “esperança”, mas é preciso manter o pacote de medidas sanitárias e os protocolos recomendados pelas autoridades médicas internacionais.

“Não devemos pensar que já estamos achatando a curva. Temos que esperar e ver o que irá acontecer nas próximas semanas”, afirmou Espinal.

Na segunda-feira, o diretor de Emergências da OMS, Michael Ryan, também declarou que o quadro da covid-19 no País permanece preocupante e que o primeiro passo para enfrentar o surto seria suprimir a transmissão comunitária.

No mesmo dia, o Brasil registrou 3.572 mortes e 18.043 novas infecções pela doença, segundo dados do levantamento realizado pelo Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL. No total, já são 2,7 milhões de casos e mais de 94 mil mortes. 

No ranking mundial, é o segundo país com mais casos confirmados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

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