Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Frio chega ao auge em SP e zoológico dá até cobertor para animais

Expectativa é de registrar menor temperatura do ano nesta sexta-feira, 13; no domingo, calor chega próximo aos 30°C

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2018 | 03h00

SÃO PAULO - O que é melhor para se aquecer no inverno: deitar sob o sol ou se aconchegar debaixo de um cobertor? A dúvida, que assolou muitos paulistanos nessa semana, a mais fria do inverno, também recai sobre outros moradores da cidade: Pepe, Tina, Cuca, Pipa, Vitória, Maria Pia, Faustina e Lulu, os oito chimpanzés do Zoológico de São Paulo. 

+ Mais de 20 cidades em SC amanhecem com temperaturas abaixo de zero

Um a um, os primatas recebem diariamente um cobertor para passar o dia. A ideia tem justificativa: o distrito do Jabaquara, na zona sul, é um dos mais frios da cidade. Dentre os 27 locais monitorados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), foi o que teve a quarta temperatura mais fria da capital na quinta-feira, 12, com mínima de 7,2º C. 

A situação deve, contudo, mudar nos próximos dias. Depois da madrugada desta sexta-feira, com expectativa de frio recorde no ano, o calor deve se intensificar no fim de semana e chegar próximo dos 30º C já no domingo. 

+ Com temperatura mínima de 7,5ºC, morador de São Paulo se prepara para mais dias frios

No zoo, a postura dos primatas chamava a atenção na quinta-feira. “Olha, aquele se cobriu”, disse a funcionária pública Helena Cavalcante, de 33 anos, ao filho, Felipe, de 6. Na frente do cativeiro, a aposentada Miralva Souza Nascimento, de 62 anos, admirava os chimpanzés enquanto ouvia os comentários dos quatro netos. “(Os chimpanzés) parecem muito próximos da gente, assim, no solzinho.”

Como os primatas, outros animais do zoo ganham tratamento especial no frio, como ar-condicionado e cama coberta de feno (ou de pano, no caso dos alérgicos). Em alguns casos, como dos felinos, a comida é reforçada. Entre as preguiças, a alimentação até diminui, pois se movimentam menos nos dias frios.

Previsão

O clima no Estado começa a esquentar a partir desta sexta-feira. “O pior já está passando. Pode ter um pouco de frio de noite e ao amanhecer, mas não será uma geladeira. As pessoas vão ter a sensação de que o inverno acabou”, explica a meteorologista da Climatempo Josélia Pegorim. 

Segundo ela, uma nova onda de frio deve chegar ao Estado apenas na virada de julho para agosto. Enquanto isso, há chance de novo recorde de secura, com umidade abaixo do 20%. “O que nos reserva na segunda quinzena são dias ensolarados, sem perspectiva de chuva, muito secos, com pouco vento e bastante poluídos”, adianta. 

Pneumologista da Escola Paulista de Medicina, José Roberto Jardim explica que as doenças mais comuns desta época do ano são causadas por diferentes fatores, entre eles: 1) contato frequente com grandes aglomerações em ambientes fechados, o que ajuda na proliferação dos vírus mais comuns da gripe; 2) uso de casacos que passaram muito tempo guardados e por isso podem ter acumulado mofo e ácaros; 3) próprias características da estação, com baixas temperaturas e tempo seco, que afetam a resistência do corpo e irritam as vias áreas.

Jardim explica que é comum que os pronto-socorros recebam mais pacientes no inverno com queixas de gripe e resfriado - doenças cuja diferença reside na intensidade dos sintomas como febre e dor no corpo -, rinite, com inflamação da mucosa nasal, e crises de asma, com a contração dos brônquios. “No caso da asma, por exemplo, o ar seco irrita as vias aéreas e faz com que os brônquios percam calor, estimulando a sua contração e causando a crise”, disse o especialista.

Cuidados para evitar contrair essas doenças passa principalmente pela vacinação anterior ao começo do inverno, reforça o médico, mas também incluem cuidado com a limpeza das roupas, menor exposição a ambientes fechados por períodos prolongados e melhor umidificação do ambiente, com equipamentos específicos para esse fim. “Lembrando que passar frio diminui a resistência, mas também não se pode alimentar um ciclo vicioso ao usar uma roupa com mofo”, disse. / COLABOROU MARCO ANTÔNIO CARVALHO

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.