'Fui adotada pelo menos sete vezes'

Lázara de Fátima Inácio. comerciante

Fernanda Bassete, O Estado de S. Paulo

06 Junho 2011 | 14h06

"Fui para o Educandário Santa Terezinha um dia após nascer. Ali, cresci com dezenas de crianças, sem me dar conta do que era ter pai e mãe. Um dia me disseram que eu conheceria meu pai. Fiquei eufórica, mas a alegria não durou. Ele morreu uma semana antes da data do encontro. Engoli a tristeza e continuei vivendo os problemas do educandário. As crianças apanhavam, eram humilhadas, sofriam. O banho era frio, sem privacidade, com sabão de coco. Quando fiz 10 anos, fui adotada. Achei que teria uma vida legal, mas não tive. Estudava em escola diferente, dormia em quarto separado, era obrigada a fazer os serviços da casa. Fui devolvida após seis meses. Em menos de 20 dias, mandaram-me para outra família. Foi pior. Meu quarto era do lado de fora, ao lado do galinheiro. Só podia entrar na casa uma vez por semana, para tomar banho. Vivi ali por quase três anos e fui devolvida. Me mandaram para outra família. De novo meu quarto era do lado de fora. De novo não me deixaram estudar. Eu cuidava dos outros filhos do casal e limpava a casa. Fugi. Foram ao menos sete adoções e devoluções. Nenhuma família queria me criar de verdade. Queriam que eu fosse a empregada. Voltei para o educandário, onde morei até os 18. Saí, arrumei um emprego, fiz faculdade. Hoje tenho meu apartamento quitado e meu negócio próprio. Eu venci."

 

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