Fumantes custam R$ 338 milhões ao SUS

Quase 8% dos gastos do sistema vão para doenças ligadas ao cigarro

Lígia Fomenti, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2008 | 20h51

O cigarro provoca um prejuízo anual para o sistema público de saúde de pelo menos R$ 338 milhões, o equivalente a 7,7% do custo de todas as internações e quimioterapias no País. O cálculo, feito pela primeira vez no Brasil, considerou o gasto com hospitalizações e terapias quimioterápicas em pacientes de 35 anos ou mais, vítimas de 32 doenças comprovadamente associadas ao tabagismo no ano de 2005. Estima-se que 22,4% da população brasileira fume. LEIA MAIS NA EDIÇÃO DE SEGUNDA-FEIRA DE 'O ESTADO DE S. PAULO' "São recursos significativos e, o mais importante, que poderiam ser poupados", observa a autora do trabalho, a economista da Fundação Oswaldo Cruz, Márcia Pinto. Para ela, o resultado da pesquisa deixa clara a necessidade de se adotar medidas rápidas para responsabilizar a indústria do tabaco pelo impacto econômico provocado no sistema de saúde público. "Além disso, as ações antitabagistas devem ser intensificadas", avalia. Entre elas, Márcia enumera o aumento do preço do cigarro brasileiro, o sexto mais barato do mundo. A pesquisadora não tem dúvida de que o impacto econômico do tabagismo no sistema de saúde é maior do que revela seu estudo. O trabalho analisou apenas parte dos custos: internação e quimioterapia. "Esse foi o ponto de partida, porque não havia nada similar no Brasil." Ela espera que novos trabalhos agora sejam realizados para avaliar, por exemplo, gastos com medicamentos, cirurgias e o tratamento de pacientes vítimas de fumo passivo.  Para fazer o estudo, tema de sua tese de doutorado na Escola Nacional de Saúde Pública, Márcia desenvolveu um índice capaz de calcular o quanto uma doença pode ser atribuída ao tabagismo no Brasil. Ela destacou um grupo de 32 doenças (alguns tipos de câncer, problemas respiratórios e circulatórios) diretamente associadas ao tabaco e avaliou os custos com internação e tratamentos quimioterápicos pelo SUS.  Numa outra etapa, estudou a trajetória de fumantes internados em dois centros de referência para tratamento de câncer e problemas cardíacos: o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC). Nesse estágio, ela calculou os custos do tratamento completo, do diagnóstico à alta ou morte do paciente.  O estudo revelou, por exemplo, que a terapia de um paciente com câncer custa, em média, R$ 29 mil. O tratamento de câncer do esôfago, R$ 33,2 mil, e o de laringe, R$ 37,5 mil. Se todos os casos novos desses três tipos de câncer causados pelo cigarro procurarem o sistema público, o gasto calculado é de R$ 1,12 bilhão.

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