Fumantes já recebem remédios do SUS

Depois de anunciado duas vezes neste governo, de sucessivos adiamentos e revisões de metas, o fornecimento de remédios para tratar dependentes de tabaco finalmente foi providenciado. O lote previsto para 2005 - suficiente para 40 mil fumantes - foi distribuído em novembro e dezembro para 225 municípios, segundo o Ministério da Saúde. Em alguns locais, no entanto, nem folheto de propaganda do produto chegou. "Até agora, continua tudo na mesma", resigna-se a coordenadora do programa de tabagismo da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, Luizemir Lago. Incor Entre os centros que estão sem nenhum tipo de provisão está o do Instituto do Coração (Incor), pioneiro nesse tipo de atendimento. Desde 2000, o programa local atendeu mais de 860 pacientes. É responsável por estudos na área e capacitou profissionais de outros centros de atendimento. Ironicamente, o Incor não recebe produtos do ministério porque não apresentou um documento que comprova que atua justamente nessa área. "Nunca ninguém pediu isso. Parece brincadeira de mau gosto, pois desde 2002 nos inscrevemos no programa para obtenção do medicamento", afirma a responsável pelo Ambulatório de Tratamento do Tabagismo do Incor, Jaqueline Issa. A burocracia impede que o centro duplique a capacidade de atendimento. Hoje, são recebidas 25 novas inscrições mensalmente. A procura, no entanto, é muito maior. A fila de espera do tratamento, que prevê remédios e terapia comportamental, é de um ano. Os remédios hoje fornecidos são doados. Ou providenciados pelo hospital. Espera Um dos pacientes que querem se tratar é Laíde Gomes de Oliveira da Silva. Aos 47 anos, ela diz que há dois anos vai todos os meses ao Incor tentar uma vaga. Ontem, mais uma vez, ouviu que teria de voltar no mês seguinte. "Eu preciso parar de fumar, mas não consigo", diz ela. A aflição tem dois motivos. Em primeiro lugar, sua voz ficou rouca por causa de 35 anos de vício. Em segundo, ela precisa se submeter a uma operação no coração, mas o médico só fará a cirurgia quando ela deixar de fumar - por causa do cigarro, os riscos são muito maiores. "É desesperador. O fumo está acabando comigo." Percalços Desde seu anúncio, o programa veio cercado de mudanças e percalços. O primeiro formato foi lançado em 2002. A idéia era credenciar centros de alta complexidade. A terapia incluía um medicamento antidepressivo usado para driblar a síndrome de abstinência, gomas de mascar e adesivos de nicotina. Cada serviço ficaria encarregado de comprar o remédio. O Ministério da Saúde faria o reembolso. Em 2003, o governo lançou uma meta mais ambiciosa: o serviço seria oferecido no atendimento básico. A compra ocorreria via Ministério da Saúde. Mesmo depois de todos os atrasos, o governo federal já providenciou a compra de remédios para este ano. Serão gastos R$ 25 milhões.

Agencia Estado,

19 de janeiro de 2006 | 10h30

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