Fumo de 'terceira mão' é prejudicial para crianças pequenas

Mesmo depois de que o cigarro é apagado, fumaça deixa toxinas nas superfícies que podem contaminar bebês

da Redação

29 de dezembro de 2008 | 17h13

Eis mais um motivo para pôr "parar de fumar" na lista de resoluções de fim de ano: o fato de que, mesmo se você decidir fumar do lado de fora de sua casa, ou só fumar em casa quando as crianças não estiverem, ainda as expõe a toxinas. Na edição de janeiro da revista Pediatrics, pesquisadores do MassGeneral Hospital for Children (MGHfC) e colegas descreveram como a contaminação de fumaça de tabaco permanece mesmo depois de o cigarro ter apagado - um fenômeno descrito como "fumo de terceira mão". O estudo é o primeiro a examinar atitudes de adultos com relação aos riscos para a saúde das crianças que esse tipo de contaminação oferece, e como essas crenças podem se relacionar às regras sobre como fumar em suas casas.  "Quando você fuma - em qualquer lugar - partículas tóxicas da fumaça de tabaco permanecem em seu cabelo e em suas roupas", disse o autor principal do estudo, Jonathan Winickoff. "Quando você tem contato com o seu bebê, mesmo que não esteja fumando no momento, ele se contamina com essas toxinas. E se você amamenta, as toxinas vão se transferir para seu bebê em seu leite." Winickoff diz que amamentar, mesmo se for fumante, ainda é preferível à mamadeira, no entanto. Material particulado da fumaça do tabaco é tóxico. De acordo com o National Toxicology Program, estão presentes cerca de 250 gases, produtos químicos e metais tóxicos na fumaça. Onze desses componentes são classificados como o grupo 1 dos cancerígenos, os mais perigosos.  Crianças pequenas são especialmente suscetíveis ao fumo de terceira mão, pois elas podem aspirar, engatinhar, brincar ou tocar superfícies contaminadas e depois colocar as mãos na boca. O fumo de terceira mão pode permanecer dentro das residências muito tempo depois de o cigarro ter se apagado.  Níveis baixos de exposição foram associados a déficits de cognição entre crianças e altos níveis de exposição, a menores níveis de leitura. Essas descobertas reforçam a possibilidade de que níveis extremamente baixos desses componentes possam ser neurotóxicos e, de acordo com os pesquisadores, justifiquem a restrição de todo tipo de fumo em ambientes internos habitados por crianças.

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