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Fumo passivo pode afetar saúde mental das crianças

Cerca de 7% das crianças observadas apresentaram sintomas de déficit de atenção com hiperatividade

Reuters,

19 Abril 2011 | 15h50

SÃO PAULO - Respirar fumaça de cigarro pode aumentar o risco de desordem mental e comportamental em crianças, o que inclui déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), aponta um estudo publicado na revista científica Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

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O estudo sugere ainda que as crianças de mães que fumam enquanto estão grávidas podem ser mais propensas a terem problemas de comportamento. A exposição ao fumo passivo também foi ligada a problemas de coração e respiratório em crianças.

"Já é tempo de começarmos a prevenir as crianças da exposição (ao fumo passivo) se estivermos comprometidos com a prevenção destas doenças", disse Dr. Bruce Lanphear, chefe de um centro especializado na saúde infantil de Cincinnati, nos Estados Unidos.

Os autores do estudo, conduzido por Frank Bandiera, da Universidade de Medicina Miller, observaram a ligação entre o fumo passivo e a saúde metal em crianças com idades entre 8 e 15 anos. Os pesquisadores também entrevistaram as crianças para ver qual delas já apresentava sintomas de desordem mental e comportamental.

Depois de levar em conta fatores como idade e raça, os meninos expostos a fumo passivo eram mais propensos aos sintomas do TDAH, depressão, ansiedade e transtorno de conduta. As meninas demonstravam mais sintomas relacionados ao TDAH e ansiedade.

No entanto, o número de crianças que foi diagnosticada com boa parte destas condições foi pequena. Enquanto 201 crianças observadas no estudo, ou cerca de 7% do total, tinham sintomas suficientes de ADHD para ser diagnosticada com a desordem, apenas 15 crianças foram diagnosticadas com depressão e 9 com transtorno de ansiedade.

Os pesquisadores notaram que pode ser difícil separar os efeitos do fumo passivo com os males causados pelas mães que fumam enquanto grávidas. Lanphear disse que por enquanto podemos não ter evidências suficientes para ligar o fumo passivo a problemas mentais, mas que seria uma surpresa se não existisse um elo entre eles. Os autores concluíram ser necessário mais esforços tanto para banir o fumo nos lugares públicos onde haja crianças, como para evitar a exposição delas à fumaça em casa.

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