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Funcionários da Cruz Vermelha são atacados na Guiné

Grupo coletava corpos de vítimas do Ebola no sudeste do país e teve carros depredados; na semana passada, atentado matou oito

AP

24 Setembro 2014 | 11h12

FREETOWN - Um grupo de funcionários da Cruz Vermelha foi atacado enquanto coletava corpos de supostas vítimas do Ebola para enterrá-los no sudeste da Guiné. Trata-se do mais recente de uma série de ataques que dificultam os esforços para controlar o surto da doença na África Ocidental. 

Um funcionário se recuperava de ferimentos no pescoço após o ataque ocorrido em Forecariah, informou Benoit Carpentier, porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. 

Familiares dos mortos inicialmente atacaram os seis voluntários e destruíram seus carros, disse a moradora Mariam Barry.

Depois disso, uma multidão se reuniu e foi em direção ao escritório de saúde regional, onde atiraram pedras contra o prédio. 

O ataque é o mais recente de uma série contra grupos que trabalham para enterrar corpos, fornecer informações sobre o Ebola e desinfetar locais públicos. O episódio mais chocante até agora foi o sequestro e assassinato, na semana passada, de um grupo de funcionários de saúde e jornalistas na Guiné, que explicavam para a população como evitar contrair a doença

Acredita-se que o vírus do Ebola tenha infectado mais de 5.800 pessoas em Serra Leoa, Libéria, Guiné, Nigéria e Senegal. O surto é o maior já registrado. Isso aconteceu em parte porque durante meses a doença não foi percebida e atingiu uma área de grande movimentação, chegando a cidades densamente povoadas da África Ocidental. 

A resistência aos esforços para controlar a doença - da negação das pessoas a respeito da existência da doença a temores de que cada pessoa que trabalha no combate ao surto é, na verdade, alguém que dissemina o Ebola - tem frustrado as medidas adotadas para conter sua disseminação nos três países mais afetados: Libéria, Serra Leoa e Guiné, afirmam autoridades. 

Há crenças muito arraigadas na região sobre como corpos devem ser tratados e, por isso, os grupos que são forçados a interferir nessas práticas costumam ser atacados, disse Carpentier. A maior resistência é registrada em áreas remotas, onde os hábitos mudam mais lentamente. 

"É preciso falar com uma pessoa de cada vez, assim elas entendem e não corremos o risco de que uma que não acredita atraia a atenção de toda a vila, espalhando a mensagem errada", afirmou Carpentier. 

Os métodos convencionais usados para controlar o Ebola - isolar os doentes e registrar todas as pessoas com quem o infectado teve contato - estão falhando em razão do tamanho do surto. Especialistas em saúde pública começam a esperar que vacinas, atualmente em teste, tenham eventualmente algum impacto.

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