HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Futuro secretário de Doria quer fazer 'overbooking da saúde'

O médico Wilson Pollara pretende que o sistema permita convocar mais de um paciente para o mesmo agendamento

Adriana Ferraz, O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2016 | 15h32
Atualizado 27 Outubro 2016 | 20h24

SÃO PAULO - Escolhido pelo prefeito eleito João Doria (PSDB) para assumir a Secretaria Municipal de Saúde, Wilson Pollara disse nesta quinta-feira, 27, que planeja adotar novas estratégias para reduzir o tempo de espera por exames na capital – hoje, há 417 mil pessoas na fila. O médico pretende, por exemplo, convocar mais de um paciente para o mesmo agendamento, em uma espécie de “overbooking”, além de criar o “Poupatempo da Saúde”.

A convocação dupla, segundo Pollara, ajudaria a reduzir o absenteísmo, já que de 25% a 30% dos pacientes não comparecem nas unidades nos dias e horários marcados. “Temos de fazer a gestão das agendas. Se nós fizermos o overbooking, com 20% de marcação a mais nas agendas, poderemos absorver mais rapidamente a demanda”, afirmou. Segundo ele, a finalidade é controlar a parte que se perde quando o usuário não aparece para fazer o procedimento.

A proposta, no entanto, é vista com desconfiança pelo professor da Faculdade de Medicina da USP Mário Scheffer. “Acho complicado usar uma prática do setor privado, como da aviação e da hotelaria, na rede pública. O passageiro ou hóspede ganha algum prêmio por perder a vaga, mas o paciente que for agendado duplamente vai ser punido, não vai ter atendimento”, afirma. Pollara assegurou que a rede estará preparada para atender um número extra de pacientes, caso as duas pessoas agendadas para um determinado horário compareçam na unidade.

Para Walter Cintra, coordenador do curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Sistemas de Saúde da FGV, o overbooking pode ajudar a aproveitar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não como medida isolada. “É uma preocupação honesta do secretário. Acho a medida corajosa e um tanto arriscada, mas imagino que deva ser temporária.”

Outra possível mudança diz respeito à Rede Hora Certa, criada pelo prefeito Fernando Haddad (PT). A futura gestão estuda usar as unidades como um “Poupatempo” da Saúde, onde o usuário pode resolver problemas mais simples, como dúvidas a respeito do uso de medicamentos e até realização de exames de sangue, por exemplo.

Secretariado. Doria apresentou nesta quinta seus primeiros cinco secretários. Além de Pollara, o tucano confirmou Bruno Covas como futuro coordenador das Prefeituras Regionais, atuais subprefeituras; Julio Semeghini como secretário de Governo; Cid Torquato à frente da Secretaria da Pessoa com Deficiência; e Anderson Pomini no comando da Secretaria de Negócios Jurídicos. 

Segundo Doria, todos os 22 secretários e 32 prefeitos regionais serão anunciados até o dia 30 de novembro. O tucano quer que sua equipe tenha ao menos 30 dias de contato com o trabalho desenvolvido atualmente pela gestão Fernando Haddad. O número total de pastas cairá das atuais 27 para 22. 

Como o Estado mostrou nesta quinta, serão extintas as pastas de Política para Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos, Licenciamento, Serviços e Comunicação. Os serviços desses departamentos serão integrados aos de outras secretarias. Na contramão, o novo governo vai criar a Secretaria de Inovação e estuda ainda a viabilidade de uma pasta para o desenvolvimento de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Em uma provocação a Haddad, Doria afirmou nesta quinta que seu expediente na Prefeitura começará às 7h30, todos os dias, e só vai terminar 12 horas depois. “Acabou a moleza”, disse o tucano. / COLABOROU BIBIANA BORBA

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