Bruno Kelly/Reuters
Bruno Kelly/Reuters

Gama plus: mutação de variante do coronavírus já foi identificada em três regiões do Brasil

Mais contagiosa, cepa só havia sido identificada no Norte do País; análise foi realizada pela rede de laboratórios Dasa

Emílio Sant´Anna, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2021 | 20h31

O primeiro relatório do projeto Genov – rede de vigilância e sequenciamento de amostras do vírus Sars-CoV-2 no Brasil - apontou a presença de uma mutação da variante Gama (P1) em áreas que ela ainda não havia sido descrita - antes, só havia registro dessa cepa na região Norte. Ao todo, 1.380 amostras de todas as regiões do País, coletadas entre maio e junho, foram analisadas, 95% eram Gama. Dentre elas, 11 amostras de maio, apresentaram a mutação, a Gama Plus.

A Gama é a variante identificada originalmente em Manaus, que tem sido predominante desde o começo da 2ª onda da pandemia no Brasil. Essa alteração, chamada de P681H, é convergente com características da variante Delta - cepa identificada na Índia, e também mais transmissível. Trata-se da presença da histidina, um aminoácido no local de outro, a prolina.

Essa mudança já havia sido descrita por pesquisadores da Fiocruz do Amazonas. “Teoricamente, ela tem maior capacidade de infecção”, diz o coordenador do Genov e virologista da rede de laboratórios Dasa, José Eduardo Levi.

O especialista afirma que é a primeira vez que essa mutação é encontrada em outras regiões do País. Mas, antes que isso possa causar alarme, ele explica que não se pode falar em evolução de casos antes de novas análises serem feitas e, importante, “não há indícios de que essa mutação esteja relacionada ao escape vacinal”. Ou seja, as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes contra essa mutação.

Das 11 amostras de maio que registraram a mutação P681H, cinco são de Goiás, duas do Tocantins, uma do Mato Grosso, uma do Ceará, uma de Santa Catarina e uma do Paraná. Em junho foram identificadas também três amostras da variante Delta no Paraná e uma no Rio de Janeiro.

De acordo com a Dasa, esses foram os únicos quatro casos identificados dessa variante até agora nos exames sequenciados pela rede. O projeto Genov tem previsão de fazer o sequenciamento de mais de 30 mil amostras em 12 meses.

Levi afirma que novas análises devem ser feitas na próxima semana e que só então será possível entender melhor o comportamento dessa mutação no Brasil. “Além do número de casos é preciso avaliar as características epidemiológicas, se esses casos estão ocorrendo em locais em que as pessoas estão respeitando a regras sanitárias, por exemplo”, diz o coordenador do Genov. “A pandemia está em um momento descendente no Brasil, mas precisamos continuar a seguir as regras.”

O avanço de novas variantes preocupa pela possibilidade de causar novas ondas da doença e pelas incertezas sobre o grau de proteção das vacinas já desenvolvidas contra essas mutações. O espalhamento da Delta nos Estados Unidos e na Europa tem causado aumento de infectados e freado os planos de reabertura da economia. 

O Brasil se aproxima de 570 mil mortes causadas pela covid-19. A média de óbitos, porém, apresenta queda e está há quase duas semanas abaixo de mil. Os dados diários da pandemia no país são do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde, em balanço divulgado às 20h. Segundo os números do governo, 19 milhões de pessoas estão recuperadas da covid-19.

O balanço de óbitos e casos é resultado da parceria entre os seis meios de comunicação que passaram a trabalhar, desde 8 de junho do ano passado, de forma colaborativa para reunir as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal. A iniciativa inédita é uma resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia, mas foi mantida após os registros governamentais continuarem a ser divulgados.

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