Gases produzidos pelo diesel afetam o cérebro, conclui estudo

Exposição aos gases da combustão do diesel produz reação cerebral que provoca sensação de angústia

Efe,

11 de março de 2008 | 16h06

A exposição aos gases da combustão do diesel produz uma reação na atividade cerebral que provoca uma sensação de angústia, de acordo com um estudo divulgado nesta terça-feira, 11, pela revista Particle and Fibre Toxicology. A publicação indicou que basta uma hora de inalação desses gases para produzir essa reação. Pesquisas anteriores tinham sugerido que as mais pequenas partículas - nanopartículas - do escape podem terminar no cérebro, mas esta é a primeira vez que se demonstra que sua inalação altera a atividade cerebral. Um grupo de cientistas da Universidade de Zuyd, nos Países Baixos, fez um experimento com 10 voluntários que entraram em um quarto na qual foram conectados a uma máquina de encefalograma para registrar seus sinais cerebrais em um ambiente de exposição aos gases do diesel. A observação foi feita durante uma hora e meia depois que abandonaram o quarto. Os cientistas apontaram que, após 30 minutos, os gases da combustão do diesel começaram a afetar sua atividade cerebral. Os dados proporcionados pelo encefalograma sugeriram que a reação de angústia ou estresse era produzida no córtex cerebral e que ela continuou depois que os voluntários abandonaram o quarto. "Achamos que esse efeito deve-se às nanopartículas contidas no escape dos gases do combustível diesel", afirmou Paul Borm, um dos cientistas participantes do estudo. "É possível que (as partículas) penetrem no cérebro e afetem sua função. Só nos falta agora especular a respeito dos efeitos que pude ter a exposição crônica à poluição causada pelos ônibus nas cidades onde os níveis dessas partículas é muito alto", acrescentou. Segundo Borm, é concebível que os efeitos a longo prazo da exposição a essas nanopartículas interfere no funcionamento cerebral e no processamento de informação. "É preciso realizar mais estudos para explorar este efeito e determinar a relação entre o nível de exposição destas partículas e a reação do cérebro", acrescentou.

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