Martin Budenbender/Pixabay.com
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Gastrite: veja quais as causas, sintomas e como prevenir

Doença atinge cerca de dois milhões de brasileiros, mas pode ser evitada com alguns cuidados

João Luiz Sampaio, Especial para o Estadão

11 de junho de 2022 | 05h00

No começo, uma sensação de queimação insistente. Em seguida, um pouco de enjoo, dor na boca do estômago após as refeições. Talvez vômitos. Um mal-estar insistente.

Foi assim com o professor universitário Henrique Carvalho. Ou com a aposentada Antonieta Santana Nunes. Ela pensou que tinha comido alguma coisa que não havia caído bem. Ele achou estranho: azias nunca haviam sido um problema. 

Depois de uma ida ao médico, um mesmo diagnóstico: gastrite. Não estavam sozinhos. Segundo levantamento do Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil, cerca de 2 milhões convivem com a doença no País. 

E o número tem crescido: dados do HCor, em São Paulo, mostraram um aumento de 15% nas internações provocadas pela doença em 2021.

“Apesar de ser muito comum, a gastrite é uma doença que precisa ser cuidada e merece toda a atenção”, explica o dr. Antonio Lopes, cirurgião do aparelho digestivo, da Rede D’Or em São Paulo. 

A gastrite é uma inflamação da mucosa interna do estômago, que pode ser causada por diferentes motivos.

“São erros alimentares, a ingestão de alimentos que irritam a mucosa, ou a infecção pela bactéria H. pylori, que leva ao aumento do ácido gástrico. E também o estresse, que piora todas essas agressões”, explica a dra. Tabata Cristina Antoniaci, gastroenterologista do Grupo São Cristóvão.

O aspecto emocional é relevante e ajuda a explicar o aumento recente de casos. Ainda que alguns estudos sugiram a capacidade da covid-19 de acometer esôfago, estômago ou intestino, diz Lopes, a questão não passa necessariamente pelo vírus. 

“Todo o cenário mexeu com a vida das pessoas e aumentou o nível de estresse. Preocupação financeira, com falta de trabalho, o medo de pegar a doença, tudo isso pode levar a uma piora na alimentação, à pouca qualidade de sono.” 

Henrique Carvalho lembra ter sido esse o seu caso. “Eu não mudei meus hábitos alimentares de maneira significativa. Mas comecei a sentir os sintomas no final do primeiro semestre de 2021, que foi um momento de piora da pandemia depois de alguns meses mais tranquilos”, ele lembra.

Como evitar a gastrite

A boa notícia é que é possível evitar a gastrite com mudanças na rotina. Foi algo que a vendedora do mercado livreiro Rosália Meireles aprendeu na prática, após ter a doença três vezes. “Foi preciso abrir mão de muita coisa, evitar bebida alcoólica, tirar alguns alimentos das refeições, comer com mais qualidade”, ela conta. 

Para a dra. Antoniaci, a alimentação é de fato um elemento central na prevenção.

“É possível evitar o problema tendo bons hábitos alimentares, que incluem comer devagar, mastigando bem os alimentos, prestando atenção na comida e não em outras atividades, como a TV ou o telefone celular”, ela observa.

“Vale a pena também optar pela ingestão de mais alimentos ricos em vitaminas e proteínas, como legumes e frutas, beber água em vez de refrigerantes e sucos e equilibrar a ingestão dos alimentos vilões, como café, doces e frituras.”

Mas, se os sintomas aparecerem, é bom ficar atento. Entre eles, além da famosa azia, a dor persistente, a alteração na coloração das fezes, vômitos, despertar no meio da noite por dor ou refluxo em diversos dias da semana. Nestes casos, vale a pena procurar o médico para um diagnóstico preciso. E evitar a automedicação.

“Os remédios para a gastrite não precisam de receitas e isso leva à automedicação. É comum receber pacientes que vivem há anos com os sintomas, controlando-os com medicações sem orientação médica. E eles normalmente dizem que, ao parar com os remédios, os sintomas voltam ainda piores”, ressalta o dr. Lopes.

“A gastrite pode levar a quadros complicados como úlceras, ou assumir caráter crônico que pode levar a doenças como o câncer. O acompanhamento é fundamental para orientar o paciente”, completa. 

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