Gene da obesidade também está ligado ao mal de Alzheimer, diz estudo

Pessoa com essa variante genética possue déficits cerebrais que a torna mais vulnerável à doença

Reuters

20 Abril 2010 | 13h26

Uma variante de um gene da obesidade presente em mais de um terço da população norte-americana também reduz o volume do cérebro, aumentando o risco relacionado ao mal de Alzheimer, disseram pesquisadores dos EUA na segunda-feira, 19.

 

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Pessoas com uma variante específica do gene chamado FTO (o gene da massa corporal e da obesidade) possuem déficits cerebrais que as tornam mais vulneráveis ao mal de Alzheimer, que provoca uma espécie de demência senil.

 

"O resultado básico é que esse gene tão prevalente não só aumenta uma polegada na sua cintura como também faz o seu cérebro parecer 16 anos mais velho", disse Paul Thompson, professor de neurologia da Universidade da Califórnia, Los Angeles, que participou do estudo, publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

 

Todo cérebro encolhe com a idade. O estudo comparou tomografias cerebrais de mais de 2000 pessoas e encontrou consistentemente menos tecido nos cérebros das pessoas que tinham a versão "errada" do FTO.

 

Em comparação a um grupo de controle, pessoas com essa variante genética tinham em média 8% menos tecido no lóbulo frontal - o "centro de comando" do cérebro - e 12% menos nos lóbulos occipitais, a parte do cérebro que processa a visão e outros sentidos.

 

"Reserva" no cérebro

 

Thompson diz que um cérebro menos volumoso representa uma menor "reserva" para compensar a perda cognitiva caso se formem placas cerebrais associadas ao mal de Alzheimer. Um derrame também pode reduzir o tecido cerebral, esgotando as reservas do cérebro.

 

O risco cerebral torna ainda mais importante para os portadores do gene FTO que tenham dietas equilibradas e façam exercícios regularmente.

 

Um estudo de 2008 com seguidores da seita amish que tinham a variante de risco do gene FTO, mas eram fisicamente ativas, mostrou que essas pessoas tinham um peso semelhante ao dos não-portadores do gene, sugerindo que a atividade física pode compensar uma eventual pré-disposição genética à obesidade.

 

Pessoas com duas cópias da variante do FTO pesavam em média 3 quilos a mais e tinham cerca de 70% mais propensão a serem obesas do que pessoas sem esse gene.

 

"Em todo o turbilhão de atividades que você faz, o exercício e a dieta com poucas gorduras estão genuinamente salvando seu cérebro de um derrame e do Alzheimer", disse Thompson.

 

Não há cura para o mal de Alzheimer, a forma mais comum de demência, que afeta 26 milhões de pacientes no mundo. Existem tratamentos para alguns sintomas, mas sem conter o avanço da doença - razão pela qual muitos cientistas estudam formas de prevenção.

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