Gene embrionário pode abrir caminho para cura de doenças crônicas

Unidade controla 'freios' do sistema imunológico e pode reforçar defesa biológica

Reuters

26 Novembro 2012 | 11h12

Cientistas australianos descobriram que o gene que mantém os embriões vivos é capaz de controlar o sistema imunológico e determinar como o corpo vai combater doenças crônicas como hepatite e HIV, além de doenças autoimunes, como a artrite degenerativa, de acordo com um estudo publicado na revista científica Nature Immunology.

 

Embora os especialistas tenham conduzido estudos com o gene Arih2 usando apenas roedores, eles esperam que a técnica possa ser usada o desenvolvimento de medicamentos capazes de combater uma série de doenças atualmente incuráveis.

 

Marc Pellegrini, do Instituto Walter and Eliza Hall de Pesquisas Médicas, disse que o gene aparentemente age como um interruptor, ativando e desativando o sistema imunológico. "Se o gene está ativado, reduz os efeitos imunológicos. Se está desativado, aumenta significativamente a resposta. Provavelmente é um dos poucos genes capaz de nos levar a uma remédio bem rápido", analisou.

 

O Arih2 foi identificado por um outro grupo de cientistas em insetos domésticos, mas atraiu a atenção da equipe de Pellegrini por suas supostas relações com o sistema imunológico. No estudo, os pesquisadores descreveram como os embriões morreram depois que o gene foi retirado.

 

Num estágio posterior da pesquisa, eles removeram o gene de ratos adulto e notaram que os sistemas imunológicos dos animais ficaram mais fortes, pelo menos por um curto período. Depois, a defesa biológica dos roedores teve uma sobrecarga e passou a atacar as células, tecidos e órgãos saudáveis.

 

"Os ratos sobreviveram bem por seis semanas. Então eles passaram a desenvolver essas respostas imunes hiperativas. Se deixá-la ativa por muito tempo, vai começar a reagir contra o próprio corpo", afirmou Pellegrini.

 

Ele e seus colegas esperam que os cientistas consigam estudar o gene mais profundamente e usem-no posteriormente para fabricar medicamentos que possam combater doenças atualmente sem perspectiva de cura. "É como um acelerador. Em doenças infecciosas, será preciso 'frear' o gene, enquanto contra as doenças autoimunes será preciso 'pisar no acelerador' para fazer com que seja mais difícil reduzir a potência do sistema imunológico", concluiu Pellegrini. 

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