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'Gene interruptor' das plantas é identificado

Descoberta aponta responsável por ativar processo de floração quando chega uma determinada temperatura

Efe,

22 de março de 2012 | 15h18

 Cientistas britânicos identificaram o gene que funciona como "interruptor" no processo de floração das plantas, que é ativado com a subida das temperaturas, disse o coordenador do estudo, Philip Wigge.

Após oito anos de estudo, biólogos do Centro John Innes de Norwich, no leste da Inglaterra, descobriram que o gene PIF4 ativa o processo de floração quando chega uma determinada temperatura.

"Nossa dúvida era qual seria o interruptor pelo qual as plantas florescem quando chega uma certa temperatura. Descobrimos que nas plantas com mutações nas quais esse gene era inativo, a floração não acontecia em resposta ao aumento da temperatura", disse Wigge.

No estudo, cujos resultados serão publicados na revista Nature, os biólogos analisaram uma pequena flor conhecida pelo nome científico de "Arabidopsis thaliana", nativa da Europa, Ásia e norte da África, famosa por ser a primeira planta a ter seu genoma totalmente sequenciado.

"Escolhemos esta flor porque dispomos de muita informação sobre ela, o que permite avançar muito rápido na pesquisa", explicou o autor.

Há dois mecanismos que permitem que as plantas respondam à chegada da primavera: medir a duração do dia e as alterações de temperatura.

A maioria das espécies vegetais evoluíram para utilizar ambos sinais, no entanto, algumas ignoram uma dessas fontes de informação e se concentram na outra para determinar o momento da floração.

Segundo um estudo americano, as plantas que se guiam exclusivamente pela duração dos dias não se adaptaram tão bem às mudanças climáticas e muitas espécies acabaram se extinguindo, enquanto que as que florescem em resposta à temperatura proliferaram ao longo do tempo.

O gene identificado agora pela equipe de Wigge parece estar presente em todas as plantas vasculares - aquelas que têm raízes, caule e folhas - o que inclui as árvores e a maioria dos cultivos.

Os cientistas puderam contrastar a descoberta com o mapa genético de outras espécies, como o arroz e o trigo, e comprovaram que também contam com o gene PIF4.

Wigge investiga agora como aplicar a descoberta aos principais cultivos, com o objetivo de melhorar a resistência frente às mudanças climáticas.

"Estamos muito interessados em ver como a elevação da temperatura afeta os cultivos, porque sabemos que cada grau de elevação da temperatura global reduz em 10% o rendimento de cultivos como o trigo e algumas frutas", diz o especialistas.

Conhecer o mecanismo pelo qual a temperatura afeta o desenvolvimento das plantas permitiria aos cientistas alterar a temperatura mínima que a planta precisa para florescer.

"Gostaríamos de criar plantas que tenham uma resposta diferente frente a temperaturas mais cálidas, de forma que seu rendimento não seja prejudicado", diz.

Se as previsões da última cúpula sobre mudanças climáticas, que ocorreu em Durban (África do Sul), forem confirmadas, a temperatura global da Terra subirá quatro graus neste século, o que terá um efeito dramático sobre a vegetação.

"As plantas responderão de forma diferente a essas mudanças. Se não dispusermos das ferramentas para produzir melhores cultivos, observaremos uma queda importante da produtividade dos cultivos nos próximos anos, disse o pesquisador.

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