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Genes da gripe suína circulavam sem ser detectados há 10 anos

Detectado pela primeira vez no mês passado, o novo vírus já foi confirmado em pelo menos 42 países

Associated Press,

22 Maio 2009 | 13h36

Genes que fazem parte do novo vírus da influenza A(H1N1), a gripe suína, podem ter circulado, sem que fossem detectados, por pelo menos uma década em populações de porcos, de acordo com pesquisadores que sequenciaram o genoma de  mais de 50 amostras do vírus.

 

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A descoberta sugere que, no futuro, será preciso monitorar mais de perto os rebanhos suínos para genes de gripe emergentes, diz a equipe liderada por Rebecca Garten, dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do governo dos Estados Unidos. O trabalho foi divulgado nesta sexta-feira, 22, no website da revista Science.

 

Detectado pela primeira vez no mês passado, o novo vírus já foi confirmado em pelo menos 42 países e em mais de 11 mil pessoas. Esses números, no entanto, referem-se apenas ao casos submetidos a exames laboratoriais, e autoridades dizem que muitas outras pessoas podem ter sido infectadas.

 

A investigação de como a nova gripe surgiu ficou em segundo plano, por conta da necessidade de tratar os doentes e criar uma vacina. Quase imediatamente, no entanto, o CDC descobriu que o novo vírus vinha de alguns vírus mais antigos de gripe suína - um deles, uma combinação de vírus humanos, aviários e suínos - que misturaram seus genes de modo novo.

 

O estudo publicado nesta sexta-feira lança um olhar mais detalhado sobre o material genético do vírus, e determinou os ancestrais imediatos de todos os oito genes são de origem suína. Isso indica que o vírus pode ter estado circulando nos rebanhos, em alguma parte do mundo, por anos, e até mesmo infectando porcos que não pareciam doentes. 

 

De fato, vírus com genes que mais se parecem com os da nova gripe foram identificados, em média, há dez anos.

 

Vírus de gripe de qualquer origem trocam material genético com facilidade entre si. Cada vez que dois ou mais vírus entram em contato com uma espécie, eles têm a oportunidade de se misturar e criar novas variedades que podem ser mais perigosas, ou se transmitir com maior facilidade.

 

O novo trabalho não ajuda a esclarecer onde o novo vírus fez a transição do porco para o homem. Alguns dos ancestrais genéticos vieram de um vírus suíno que atingiu fazendas dos Estados Unidos em 1998. Outros foram rastreados a vírus que infectavam porcos na Europa e na Ásia.

 

No lado bom, o CDC reafirma que nenhum dos genes mostra sinais de virulência extrema.

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