REUTERS/Fabian Bimmer
REUTERS/Fabian Bimmer

Genoma de E-coli é identificado como uma nova variedade resultante de cruzamento

Segundo cientistas, identificação não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para a crise sanitária

estadão.com.br e Efe

02 Junho 2011 | 09h40

BERLIM - Cientistas alemães, em coordenação com colegas chineses, conseguiram decifrar o genoma da bactéria Escherichia coli causador da agressiva infecção que provocou até agora 17 mortos na Alemanha e um na Suécia, identificada como uma nova variação resultante de um cruzamento.

 

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As conclusões foram divulgadas nesta quinta-feira pela Clínica Universitária de Eppendorf de Hamburgo, a cidade onde explodiu o alarme sanitário e posterior retirada do mercado de pepinos espanhóis, medida finalmente revogada após ser descartado que estes vegetais fossem o foco da infecção.

 

O variante letal de E. coli é uma combinação entre um "parente muito distante" do variante mais comum da bactéria com outras cepas conhecidas, por isso que se trataria de um cruzamento, não de uma mutação da chamada O104:H4.

 

No genoma foram identificados agentes classificados pelo bacteriologista Holger Rohde, da Clínica Universitária de Eppendorf, como "clássicos" entre estes dois conhecidos serotipos da bactéria.

 

A combinação de os elementos dá como resultado um variante muito agressiva, que permanece mais tempo do que o habitual no intestino e provoca, portanto, danos de efeitos mais persistentes, inclusive até mesmo a morte.

 

Segundo a mesma equipe de cientistas, a identificação do genoma não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para a crise sanitária provocada pela bactéria, já que a interpretação dos dados conquistados pode levar semanas.

 

A infecção provocou a morte de 17 pessoas na Alemanha e de uma na Suécia. O Instituto Federal de Análise de Riscos em Berlim informou nesta quinta-feira que nenhum dos pepinos analisados (que no princípio foram apontados como a origem da doença) deu positivo para a variante fatal do "E. coli".

 

"Nenhum dos quatro testes deu positivo para a variante O104:H4 do agente patogênico que foi isolado pelas análises dos sedimentos dos pacientes", disse a porta-voz.

 

A fonte das infecções continua uma incógnita e os especialistas tentam esclarecer em que ponto da cadeia alimentar ocorreu a contaminação.

 

Cerca de 2 mil pessoas foram internadas na Alemanha com sintomas da infecção, entre as quais foram confirmados 470 casos de pacientes com a síndrome hemolítica-umérica (SUH), que pode gerar graves deficiências renais levando até a morte.

 

Os restantes, 490 casos, foram registrados na Suécia, Reino Unido, Holanda, Dinamarca e Espanha, todos em pessoas que passaram pela Alemanha.

 

Enquanto continuam as investigações para saber a origem do foco da infecção, os analistas aconselham à população não consumir pepinos, tomates alfaces, independentemente de sua origem, o que está causando prejuízos milionários ao setor.

 

Importação. A Rússia anunciou a proibição a partir desta quinta-feira das importações de verduras procedentes de todos os países da União Europeia (UE). A Comissão Europeia afirmou que pedirá explicações ao país, tendo considerado a medida "desproporcional".

 

SAIBA MAIS SOBRE A INFECÇÃO 

PERGUNTAS E RESPOSTAS : Higiene previne contaminação

1. Existe mais de um tipo da bactéria?

A E.coli é um dos tipos mais comuns de bactérias. Ela existe não só no intestino humano como no de todos os animais (como bovinos e aves). O índice de coliformes fecais é medido pela quantidade dessa bactéria existente em um líquido, por exemplo. A maior parte dos tipos da bactéria não causa mal à saúde.

 

2. Por que alguns tipos da bactéria são mais agressivos à saúde?

Quando a bactéria adquire material genético, ela pode se tornar invasiva. Em alguns tipos, ela pode provocar diarreia, vômito e até febre - um quadro de gastroenterite infecciosa. Os tipos mais toxigênicos, como é o caso da E.coli 0157:H7, produzem uma toxina denominada shiga, que pode causar uma doença mais grave, a síndrome hemolítico-urêmica. Ela provoca a destruição das células vermelhas do sangue e o aumento da ureia no sangue, afetando os rins do paciente. Há cólicas abdominais intensas, náuseas e febre. Normalmente, ela é causada por precariedade nas condições de higiene na produção de carne bovina.

 

3. Como prevenir a contaminação?

O ideal é lavar muito bem os alimentos que serão consumidos crus e também higienizar bem as mãos. Caso viaje para regiões de contaminação, tenha cuidado especial com alimentos crus e malcozidos - evite comê-los.

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