Genoma do aborígine australiano fornece dados sobre migrações

Segundo estudo, aborígine australiano é o descendente direto dos primeiros exploradores que saíram do norte da África, entre 62 mil e 75 mil anos atrás

Efe

23 de setembro de 2011 | 10h01

 

WASHINGTON - O genoma contido na mecha de cabelo de um aborígine australiano pôs em dúvida as teorias mais aceitas sobre as primeiras migrações da África à Ásia, ao sugerir que não transcorreram em uma só leva, mas em várias.

 

Segundo um estudo da Universidade de Copenhague publicado na revista Science, o aborígine australiano é o descendente direto dos primeiros exploradores que saíram do norte da África, entre 62 mil e 75 mil anos atrás.

 

Segundo Joe Dorth, arqueólogo da Universidade de Western Austrália, o descobrimento demonstra que a espécie humana se originou na África e migrou em uma série de ondas.

 

O primeiro antropólogo que recebeu a mecha de cabelos foi Alfred Haddon, que a levou para a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, até que recentemente foi resgatada pelo professor Eske Willersley, da Universidade de Copenhagen.

 

"Enquanto os antepassados dos europeus e asiáticos descansavam em alguma parte da África ou Oriente Médio, os antepassados dos aborígines australianos se dispersaram rapidamente", disse Willersley. 

 

Essa é a principal informação fornecida pela primeira sequência completa do genoma do aborígine australiano, decifrada a partir de uma mecha de cabelo que data do início do século XX e procede da região australiana de Goldfields.

 

O DNA da sequência carece de informações genéticas dos australianos modernos, que descendem dos europeus, algo que a equipe de cientistas considera uma mostra de que os antecessores dos aborígines se deslocaram através da Ásia e chegaram à Austrália em uma primeira leva migratória, anterior às restantes.

 

Enquanto isso, "os antepassados de europeus e asiáticos permaneciam quietos em algum lugar da África ou do Oriente Médio, ainda esperando para explorar o mundo", indicou o principal autor do estudo, o dinamarquês Eske Willerslev.

 

O estudo contradiz a hipótese apresentada por cientistas americanos e europeus no início da década de 1990, segundo a qual o Homo sapiens iniciou desde a África uma única onda migratória que chegou a todos os continentes, à exceção da América.

 

Por outro lado, aponta o estudo, os antecessores dos aborígines australianos embarcaram na aventura rumo à Oceania cerca de 24 mil anos antes dos antecedentes dos atuais asiáticos.

 

"Os aborígines australianos têm provavelmente uma das histórias mais antigas de população estabelecida de forma fixa fora da África Subsaaariana", disse Willerslev no estudo.

 

Para chegar a essa conclusão, a equipe comparou a sequência de genoma do aborígine com outras 79 procedentes de indivíduos da Ásia, Europa e África. 

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