Gestantes tendem a cortar medicação e agravar doenças crônicas

Falta de remédios contra asma, por exemplo, pode levar a gravidez de risco, com partos prematuros

estadão.com.br

28 Setembro 2010 | 18h36

SÃO PAULO - Algumas doenças crônicas podem agravar-se durante a gravidez se não forem bem tratadas. Segundo o pneumologista Rafael Stelmach, do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, os problemas podem aumentar por causa da suspensão de medicamentos nesse período.

A falta de remédios contra a asma, por exemplo, leva a mulher a uma menor oxigenação, dificuldade respiratória e, consequentemente, a uma gravidez de alto risco, o que pode causar partos prematuros e bebês de baixo peso. De acordo com Stelmach, se a medicação for regular, a tendência é que o problema respiratório fique estável. "Entre as mulheres que não param de se tratar, cerca de 70% não alteram ou até melhoram o quadro asmático", afirma.

Se a preocupação da futura mãe é que as drogas possam causar algum efeito colateral na criança, o pneumologista explica que existe uma classificação de risco para os remédios: A, B, C, D e E. "Os que tratam asma estão entre as classes B e C. Isso, considerando que a "A" não apresenta nenhum problema e a "E" pode causar algum prejuízo para o bebê", explica.

O que poucas grávidas sabem é que a medicação para asma pode até ajudar na gravidez. Os mesmos remédios usados em uma crise de falta ar servem para postergar uma gestação prematura. Quando o feto não se desenvolve como deveria, usa-se cortisona para aumentar o tempo de maturação. Outra medicação é o broncodilatador, que relaxa a musculatura, inclusive a do útero, também para evitar trabalho de parto prematuro no quarto ou quinto mês. "Ou seja, no contexto geral, essa medicação faz mais bem do que mal", diz Stelmach.

Para as mulheres que têm asma e pretendem engravidar, as três principais dicas são: procurar um especialista que as acompanhem durante os nove meses; não suspender os remédios; e ter uma vida saudável, conforme as indicações médicas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.