Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini
Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

Governador do Rio Grande do Sul libera comércio em cidades menos afetadas pelo coronavírus

Apenas 48 dos 497 municípios, incluindo Porto Alegre, vão seguir adotando regras mais duras até o fim de abril

Lucas Rivas, especial para O Estado

15 de abril de 2020 | 22h17

PORTO ALEGRE - O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), confirmou, nesta quarta-feira, 15, que o Estado passará a adotar o chamado "distanciamento controlado", com medidas restritivas de isolamento e funcionamento do comércio apenas nas cidades das regiões Metropolitana e da Serra, que registram incidência de 70% dos casos de infecção do novo coronavírus no Rio Grande do Sul. Com isso, apenas 48 dos 497 municípios, incluindo Porto Alegre, vão seguir adotando regras mais duras até o fim de abril para evitar o contágio da covid-19.

A nova medida foi detalhada pelo governador há poucas horas do fim da validade do decreto de restrição emitido em fim de março. A partir desta quinta-feira, os prefeitos fora das regiões de Caxias do Sul e da capital já poderão flexibilizar a abertura de todos os setores do comércio, desde que obedeçam os protocolos de higiene e proteção.

"A medida não significa que não tenhamos uma saída. Justamente ao contrário. Estamos prorrogando a determinação para que possamos usar esse período para a construção da nova política de distanciamento controlado. Não sabemos qual vai ser o comportamento do vírus, mas o comportamento do Governo do Estado vai ser sempre o da transparência, da retaguarda devida dos profissionais da saúde e do foco permanente em cuidar das pessoas, antes de mais nada e acima de tudo”, destacou Leite.

A determinação do governo estadual foi embasada em dois fatores: o resultado de um estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) sobre o avanço da doença em solo gaúcho e os números de ocupação de leitos de UTIs em hospitais públicos e privados do Rio Grande do Sul. Dos 300 hospitais gaúchos, 36 ainda não informaram os dados no sistema criado pelo governo.

Para Leite, as restrições poderão ser revogadas antes do fim de abril caso todos os dados necessários e as respectivas análises sejam concluídos. Somente com a consolidação e atualização diária desses números é que o Rio Grande do Sul poderá migrar do atual modelo de restrição.

"Esse novo modelo servirá de padrão para a gestão de risco da epidemia. Vamos monitorar constantemente o nosso sistema de saúde, a velocidade de contágio, o número de testes, o número de internações, a taxa de mortalidade e a capacidade e ocupação de leitos, assim como a situação econômica e a nossa capacidade de absorção e reação dos impactos nos diferentes setores e serviços. Só assim vamos tomar as decisões sobre os próximos passos na saúde e na economia do RS", esclareceu o governador gaúcho.

Assim como os demais gestores, Leite também foi pressionado por diferentes setores para adotar medidas mais brandas para abrir o comércio de forma geral e ampliar as atividades consideradas como não essenciais.

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