Reprodução / Governo SP
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SP terá 3ª dose de vacina a partir de 6 de setembro, anuncia Doria

Reforço será oferecido para idosos acima de 60 anos que já completaram seis meses da segunda dose

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2021 | 12h41

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 25, que a aplicação da terceira dose da vacina contra covid-19 será iniciada no dia 6 de setembro para idosos acima de 60 anos que já tenham completado seis meses da segunda dose. A afirmação foi feita em entrevista coletiva, no Palácio dos Bandeirantes. 

A estratégia para a vacinação dos imunossuprimidos (pessoas cujo sistema imunológico está comprometido por alguma condição de saúde) será divulgada nos próximos dias. A nova carteira de vacinação, agora em tom azul, terá a inscrição "dose adicional". 

Horas antes do anúncio do governo de São Paulo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, havia comunicado a aplicação de uma 3ª dose da vacina contra a covid-19 a partir de 15 de setembro em idosos com mais de 70 anos e imunossuprimidos. O governador Doria negou que o anúncio paulista tenha relação com a divulgação do Ministério da Saúde. 

"Há quatro semanas, o Comitê Científico discute o tema da terceira dose. Não é uma decisão de agora ou de última hora só porque o ministro fez ou deixou de fazer", afirmou Doria. "Eu aplaudo todas as iniciativas, seja de quem for, para vacinar mais. Não estamos numa competição. É uma corrida pela vida". 

Questionado sobre seu posicionamento contrário à terceira dose semanas atrás, o governador de São Paulo confirmou sua mudança de posição. "O enfrentamento da pandemia é diário. Decisões de hoje não são as decisões ontem. A própria ciência modifica suas posições de acordo com a evolução e a involução da pandemia", afirmou. 

Marca da vacina

João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê de Saúde da Covid-19, afirma que a marca da vacina na dose de reforço vai depender da disponibilidade do imunizante. "A marca da vacina utilizada na terceira dose será aquela que estiver disponível", afirmou Gabbardo. "A vacina que foi disponibilizada primeiro e que atendeu a população mais suscetível foi a Coronavac. A grande maioria utilizou Coronavac. Nos outros países, isso está sendo feito com outras vacinas", completou. 

Por outro lado, a Coronavac não fará parte vacinação de reforço na ação do Governo Federal. A terceira dose a ser aplicada deve ser preferencialmente da Pfizer, Janssen ou Astrazeneca. Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan, classificou a atitude como um ataque ao governo estadual. 

“Esses ataques à Coronavac não são novidade. Convivemos com eles diariamente, ataques que vêm do governo federal, especialmente do presidente e agora do ministro. Não há fato científico que sustente a decisão do ministro Queiroga. É mais uma vez a preferência por atacar a Coronavac”, disse Covas.

Em São Paulo, o cronograma de vacinação será semelhante ao aplicado nas fases iniciais, seguindo o critério cronológico. Serão imunizados inicialmente os idosos acima de 90 anos e assim sucessivamente. O cronograma será divulgado de acordo com os cálculos de disponibilidade de vacinas da Secretaria Estadual de Saúde.

Regiane de Paula, coordenadora do Plano Estadual de Imunização, não será necessário um novo cadastro. "Todos que receberam as duas doses já estão cadastrados no Vacina Já. Quando liberarmos um novo cronograma, as pessoas vão procurar a Unidade Básica no período estabelecido. Não é preciso um cadastro. O cadastro que já existe vai fazer com que ela tome a dose adicional", afirmou.  

As pessoas vacinadas são aquelas que já completaram seis meses da segunda dose. Idosos acima de 60 que ainda não completaram seis meses desde a segunda dose devem aguardar que o período se complete. "É uma questão técnica. É a partir do sexto mês que ocorre uma queda da imunidade. Não teria sentido vacinar as pessoas com essa dose adicional antes desse prazo de seis meses", explicou Gabbardo. 

A aplicação da terceira dose para imunssuprimidos deve ser divulgada na sexta-feira. Conforme o Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19, o grupo de imunossuprimidos inclui indivíduos que passaram por transplante de órgão sólido ou de medula óssea, pessoas que vivem com HIV e CD4 10 mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida.

Também engloba pessoas que usam" imunossupressores ou com imunodeficiências primárias; pacientes oncológicos que realizam tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses e neoplasias hematológicas". "Entre os imunossuprimidos, a área com pior resultado são os transplantados. Essa é a nossa prioridade. Eles precisam de uma atenção maior", afirmou Gabbardo. 

Estudos apontam a necessidade de uma terceira dose para aumentar a imunidade diante das novas variantes do coronavírus. Membros do Comitê Científico afirmaram que a decisão está alinhada à prática de vários países, que também adotam a terceira dose, como Alemanha, França e Israel.

"Vários países estão adotando essa terceira dose como proteção extra. Com isso, o Comitê Científico decidiu fazer a aplicação da terceira dose no estado de São Paulo", diz Paulo Menezes, coordenador do Comitê Científico de São Paulo.

"Isso está sendo feito no mundo inteiro, com todas as vacinas. Independentemente da vacina que foi utilizada para os idosos está sendo recomendado uma terceira dose para a população com maior risco. Vamos fazer uma dose de reforço com a vacina que estiver disponível, independentemente de quem tomou um tipo ou outro de vacina", completou Gabbardo. 

Indicadores em queda

Jean Gorinchteyn, secretário estadual de saúde, afirma que a terceira dose será aplicada mesmo que os índices de combate à doença estejam em declínio. De acordo com o secretário, o estado acumula oito semanas com quedas dos principais índices. A taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado hoje é de 37,87%; na Grande São Paulo, ela é de 36,6%. As internações também seguem em declínio. Em termos absolutos foram registrados 4.222.902 casos de covid-19 durante toda a pandemia, com 144.510 óbitos.

O Estado registrou nesta terça-feira média móvel de 196 mortes por covid-19 por dia. Na comparação com 14 dias anteriores, a tendência voltou a ser de queda, após duas semanas em estabilidade. 

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou a 125.339.734 ou 59,19% da população total. Em termos proporcionais, São Paulo continua como o Estado que mais vacinou até aqui: 71,95% dos habitantes receberam ao menos a primeira dose. Mato Grosso do Sul apresenta a maior porcentagem de imunizados: 41,32% da população recebeu as duas doses ou um imunizante de aplicação única.

Na semana passada, o governo de São Paulo encerrou as restrições para o comércio na pandemia. Com isso, São Paulo passou a permitir que estabelecimentos comerciais, como shoppings, lojas, bares e restaurantes, funcionem sem limite de horário e com 100% da ocupação presencial.

O uso de máscara facial continuará obrigatório no Estado ao menos até o fim deste ano. Doria admitiu que novas flexibilizações serão anunciadas para os próximos meses, chegando a uma quase “normalidade”. A circulação da variante Delta do vírus da covid-19, no entanto, exige que cuidados sejam mantidos durante pandemia, como distanciamento social e protocolos de higiene.

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