REUTERS/Bruno Kelly
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Após consulta a governador, Planalto descarta intervenção no Amazonas

Wilson Lima (PSC) afirmou que a situação está sob controle no Estado

Julia Lindner, Tânia Monteiro e Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 18h10

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, afirmou nesta quarta-feira, dia 22, que o presidente  Jair Bolsonaro recebeu pedido de intervenção federal no sistema de saúde do Amazonas, que está perto de um colapso após a taxa de ocupação de leitos atingir quase 100%. Consultado sobre a possibilidade, porém, o governador Wilson Lima (PSC) disse que a situação está sob controle, o que fez o Palácio do Planalto descartar intervir no Estado. 

A solicitação havia sido aprovada na segunda-feira, 20, pela Assembleia Legislativa amazonense e foi levada a Bolsonaro pelo líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). Ao deixar a reunião, Ramos disse que conversaria com o governador.

De acordo com uma fonte do Palácio do Planalto, Lima afirmou que não há necessidade de intervenção e que o requerimento dos deputados estaduais envolve questões políticas locais.   O Amazonas já registrou 2.479 casos de coronavírus, com 207 mortes, segundo dados do Ministério da Saúde.

Um pedido de intervenção no Estado costuma partir do governador, que declara insuficiência de meios para dar conta do atendimento durante a pandemia do novo coronavírus, mas, conforme a Constituição Federal, também pode ser solicitado pelo Poder Legislativo.

"O presidente ficou de orientar os seus ministros para conversar com o governo do Estado do Amazonas para que possamos ter medidas efetivas emergenciais mais concretas no estado. Obviamente que dependerá da vontade do governador e do governo do estado", disse Braga em conversa com jornalistas logo após se reunir com o presidente.

Sem leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), respiradores e recursos humanos, desde a semana passada o governo do Amazonas passou a equipar as unidades hospitalares do Estado com contêineres frigoríficos para acondicionamento de corpos das vítimas da doença.

Na quinta-feira, 16, um vídeo vazado por profissionais do plantão do hospital público da rede estadual João Lúcio, zona Leste de Manaus, viralizou nas redes sociais e assustou a população. Nele, pacientes e mortos dividem o mesmo espaço na unidade. A pessoa que filma circula entre os leitos que mostram corpos já empacotados em macas lado a lado com pacientes e funcionários que estavam no plantão. O vídeo mostra pelo menos dez corpos.

Os enterros de vítimas da covid-19 na capital amazonense passaram a ser feitos em valas coletivas no Cemitério Parque Tarumã.

“Hoje, dos 106 sepultamentos (no Estado), 36,5% das pessoas morreram em casa. Está se caracterizando certa falência, certo colapso das possibilidades de atender. Nosso Hospital de Campanha, e a prefeitura não tem obrigação de cuidar de hospitais, está trabalhando e bem. Hoje, se não me engano, foram quatro altas. Estamos acolhendo as pessoas com critério muito rígidos para termos certeza de dominância do quadro. O número de UTIs está crescendo e as UTIs estão totalmente lotadas. As quatro vagas abertas com certeza já foram ocupadas”, disse o prefeito Arthur Virgílio (PSDB) nas redes sociais na terça-feira, 21.

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