Divulgação/Governo da Bahia
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Governo baiano denuncia invasão de deputado a hospital de tratamento da covid-19

Deputado estadual Capitão Alden (PSL) confirma 'visita surpresa' para vistoriar condições e diz que fará o mesmo em outros dez hospitais. Secretaria da Saúde proíbe visitas às unidades

Fernanda Santana, especial para O Estado de São Paulo

17 de junho de 2020 | 18h25

SALVADOR - O deputado estadual Capitão Alden (PSL) tentou invadir, na manhã desta quarta-feira, 17, leitos do Hospital Riverside, em Lauro de Freitas, na Grande Salvador, onde estão internados pacientes com covid-19. O caso foi denunciado pela Secretaria de Saúde da Bahia. O parlamentar confirmou a “visita surpresa”, disse que tinha intenção de vistoriar as condições na unidade — da ocupação à quantidade de equipamentos — e afirmou que fará o mesmo em outros dez hospitais. A invasão, no entanto, ele nega.

O parlamentar chegou ao hospital, com 110 leitos, acompanhado de um segurança e um cinegrafista, por volta das 9h30. No hall de entrada, funcionários impediram que ele fosse até os leitos. Quando estiveram na unidade hospitalar, porém, o segurança do parlamentar posicionou-se na porta de um dos quartos, onde estava uma paciente nua, enquanto tomava banho no leito, conforme a secretaria. A Polícia Militar foi acionada, após o deputado ameaçar dar voz de prisão a profissionais do hospital. Um boletim de ocorrência foi aberto.

Capitão Alden é aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) que, em 11 de junho, incentivou a população a entrar em hospitais para fiscalizar leitos. “Muita gente 'tá' fazendo isso, mas mais gente tem de fazer, para mostrar se os leitos estão ocupados ou não, se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda", disse o presidente, em vídeo. O deputado baiano nega ter se inspirado em Bolsonaro e disse ao Estadão que a “visita foi comunicada em três ofícios” anteriores.  

“Não tenho de pedir autorização para entrar. Comuniquei minha ida em abril, depois em maio, e depois em junho. Não preciso solicitar visita. Meu papel é fiscalizar. Não acho que o cidadão que tem que fazer isso, mas eu tenho”, justificou à reportagem.

Numa gravação feita dentro do Hospital Riverside, é possível ouvir o parlamentar dizer que o cinegrafista gravaria o hospital. “Pode falar o que você quiser, mas vamos adentrar porque é o meu papel”, respondeu o parlamentar a um dos funcionários. A Assembleia Legislativa da Bahia declarou que não se pronunciará sobre o caso. 

No Twitter, o secretário estadual de Saúde, Fábio Villas Boas, lamentou o ocorrido. “Nossos profissionais da saúde já estão sofrendo bastante para fazer o que podem para salvar vidas durante a pandemia e agora ainda têm de se preocupar com a própria integridade física durante o trabalho”, escreveu.

O deputado, que visitou o Hospital Arena Fonte Nova, em Salvador, antes da inauguração, no dia 25 de maio, chegou a dizer que Villas Boas concordou com as novas visitas. “Não permitimos visitas às unidades Covid-19, nem de familiares”, negou a Sesab, por meio de nota.  O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que Ministérios Públicos Estaduais investiguem casos de invasões a hospitais e ofensas a profissionais de saúde.

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