Governo brasileiro reforça vigilância contra vírus Ebola

Equipes de saúde deverão ficar atentas a passageiros que tiverem sintomas da doença durante viagem ao País; África vive epidemia

Lígia Formenti , O Estado de S. Paulo

31 Julho 2014 | 21h15

BRASÍLIA - O governo federal reforçou recomendações às equipes de saúde encarregadas de atender passageiros que apresentaram durante viagens ao Brasil problemas como febre, diarreias ou hemorragias. A medida, na avaliação do Ministério da Saúde, é suficiente para identificar de forma rápida casos de uma eventual contaminação por Ebola em viajantes. O vírus, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é responsável por epidemia que já atingiu 1,3 mil pessoas e provocou 729 mortes na África Ocidental. 

Medidas mais drásticas, como a suspensão de voos, não estão sendo analisadas. Pela rotina, a tripulação é orientada a encaminhar a agentes sanitários instalados em portos e aeroportos brasileiros pessoas que apresentem sintomas de doenças cuja causa não é identificada. Depois do desembarque, o viajante é encaminhado para uma área remota e, então, é avaliado por profissionais de saúde.

“A atenção é praxe e é dada para sintomas de voos procedentes de todos os locais, não apenas de regiões africanas”, afirmou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. 

Ação. A OMS anunciou nesta quinta-feira, 31, a criação de um fundo de US$ 100 milhões para combater a epidemia. O governo brasileiro deverá enviar na próxima semana dez kits para Libéria e Serra Leoa, com itens usados em catástrofes. No início do mês, um conjunto com mesmos produtos foi entregue à Guiné. Cada kit é suficiente para atender as necessidades de 500 pessoas por três meses. 

Barbosa disse não concordar com as afirmações feitas por um integrante do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, Stephan Monroe, de que a doença possa se espalhar como “rastro de pólvora”. Para o secretário de Vigilância, o maior risco de contágio é de parentes de pessoas contaminadas e profissionais de saúde que tenham contato com paciente sem a proteção necessária.

“O vírus é transmitido pelo contato com sangue e secreções do doente. E, ao contrário de outras doenças, o contágio acontece quando os sintomas da infecção, que são fortes desde o início, já estão presentes”, disse. Tais características, avaliou, reduzem o risco de transmissão. “Você não vai ver um paciente com Ebola andando na rua, ou pegando avião sem ter sintomas notados”, disse. Mas Barbosa ressaltou: “É preciso que as pessoas adotem medidas necessárias de cuidado”.

Histórico. O vírus Ebola foi identificado pela primeira vez na década de 1970. Desde então, surtos isolados foram identificados, sempre com altos índices de letalidade. Desta vez, no entanto, as características da epidemia se alteraram: em vez de ficar concentrada em uma região, ela começa a se espalhar. Atualmente, casos estão confirmados na Guiné, Libéria e Serra Leoa. Na Nigéria, um paciente foi registrado, mas a contaminação foi fora do país. 

Barbosa atribui a maior extensão da epidemia a dois fatores. O principal, é a resistência da população na região a adotar medidas de controle. Pelas características dos rituais fúnebres dessas regiões, há maior risco de familiares entrarem em contato com secreções e sangue dos pacientes. “Há também relatos de pessoas que não informam as autoridades sanitárias sobre casos suspeitos, com receio de o paciente ser levado para longe, e preferem dar o tratamento em casa.” Além disso, há as dificuldades das instalações de saúde da própria região.

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