Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Governo federal cria força-tarefa contra casos de microcefalia

Articuladores querem autonomia para editar medidas, liberar recursos e organizar esforços contra o problema

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

20 Novembro 2015 | 22h23

BRASÍLIA - Numa reação à epidemia de microcefalia no Nordeste e diante do receio de que os casos se espalhem para outros Estados, o governo vai reativar o Grupo Executivo Interministerial, o mesmo que atuou durante a Pandemia da Gripe A. A equipe, formada por integrantes de vários ministérios, incluindo Saúde e Defesa, além da Secretaria Geral da Presidência da República, vai preparar um plano de enfrentamento para prevenção e controle da microcefalia.

Articuladores da força-tarefa pleiteiam autonomia para editar medidas, liberar recursos e organizar esforços tanto para combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor do principal suspeito da má-formação, o zika vírus, quanto para diagnosticar casos e tratar os bebês.

As previsões não são das mais otimistas. Embora o Levantamento de Infestação Rápida de Aedes aegypti (LIRAa) não esteja concluído, o governo estima ser considerável o número de focos do mosquito no País. Há ainda várias regiões com seca e racionamento de água no Nordeste. Nesses casos, há uma tendência de as pessoas manterem depósitos em casa, um ambiente perfeito para proliferação do mosquito. Na Região Sudeste, por sua vez, as chuvas foram intercaladas por uma temperatura mais quente, o que também favorece os criadouros. A isso se soma a rápida expansão do zika pelo País.

Crianças com a má-formação nascem com a cabeça com circunferência menor do que 33 centímetros. O cérebro dos bebês também traz deformações que, de acordo com grau, podem levar à deficiência mental, auditiva, visual, locomotora e epilepsia. Até agora, foram registrados no País 399 bebês nascidos com o problema. A única ligação encontrada nos casos é o fato de que a maior parte das mães apresentaram nos primeiros meses de gestação febre, coceiras e manchas pelo corpo.

Como revelou o Estado, exames feitos no líquido amniótico de dois fetos identificaram a presença do zika vírus. O Ministério da Saúde admitiu que o achado era mais do que uma simples coincidência. Embora as evidências sejam muito fortes, a pasta preferiu adotar uma postura mais cuidadosa e somente afirmar de forma categórica que a doença é provocada pelo zika depois de estudos complementares.

O zika chegou ao Brasil no início do ano e provocou epidemia na Região Nordeste do País. O ministro da Saúde classificou o cenário como “gravíssimo” e admitiu o risco de a doença se espalhar para outros Estados e países. Uma campanha de esclarecimento para grávidas começou a ser preparada.

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