FELIPE RAU/ESTADAO
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Governo de São Paulo determina 70% de público em estádios e recomenda limite em eventos

Medida começa a valer no dia 23 de janeiro para partidas do Campeonato Paulista. Recomendação a prefeituras poderá levar em consideração cenário epidemiológico local. Estado convive com alta de casos e internações por covid-19

João Ker, Luiz Henrique Gomes e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2022 | 12h45
Atualizado 12 de janeiro de 2022 | 22h13

O governo de São Paulo recomendou nesta quarta-feira, 12, que as cidades paulistas reduzam em 30% a capacidade de público para eventos públicos e privados, como shows, festas, atividades esportivas e outras atividades que gerem aglomeração. No caso de partidas de futebol do Campeonato Paulista, a medida é compulsória e começará a valer no dia 23 de janeiro. A sugestão ocorre após a alta de 58% no número de pessoas internadas em UTI por síndromes respiratórias nas duas últimas semanas, cenário decorrente do avanço da variante Ômicron do novo coronavírus e da gripe.  

O governador João Doria (PSDB) disse que as cidades podem adaptar as medidas de acordo com o cenário epidemiológico observado em cada região. João Gabbardo, coordenador executivo do Comitê Científico de Combate à Covid-19 do governo, também afirmou que os municípios poderão adotar restrições mais duras do que os 30% de redução de público. "Os municípios têm situações diferentes e enfrentam realidades diferentes. (Eles podem) legislar de acordo com sua situação epidemiológica. (Os 30%) é a régua mínima", explicou.

A recomendação do Comitê Científico também prorrogou até 31 de março a obrigatoriedade do uso de máscaras em todos os ambientes, internos ou externos. Na realização de eventos, a orientação é de que ainda haja exigência de teste antígeno contra a covid e comprovante de vacinação do público.  

Gabbardo não descartou elevar esse patamar recomendado nas próximas semanas. "Trabalhamos em cima da realidade do momento. O acréscimo de internações é bastante significativo, mas esse número ainda sai de uma base muito baixa. Se compararmos as internações em UTI em relação à nossa capacidade, significa 13% de todos os leitos. As recomendações têm que ser proporcionais à que estamos vivendo. É definitivo? Não. Vamos examinar a realidade e os números (a cada semana)", acrescentou, quando questionado sobre o porquê de a medida não ser obrigatória.

Quanto aos eventos do futebol profissional, o governo paulista esclareceu que se trata de uma determinação que terá de ser cumprida pela Federação Paulista de Futebol (FPF). O limite de 70% de público nos estádios começa a valer a partir de 23 de janeiro, data de início do Campeonato Paulista. A medida não engloba o público da Copa São Paulo, que está em andamento. 

A recomendação se restringe a eventos, shows e atividades esportivas, e não engloba o setor de comércio e serviços, em um primeiro momento. A orientação do governo, em uma forma não compulsória, contrasta com o perfil de decisões da gestão Doria no primeiro ano da pandemia (momento mais intenso da doença quanto a casos e mortes), quando o governo impôs as restrições e buscou até responsabilizações judiciais contra prefeitos que descumpriram as diretrizes.

Ocupação de UTI subiu 58% e de enfermaria, 99%

O número de pessoas internadas em UTIs no Estado passou de 1.096 para 1.727, alta de 58% em 14 dias. O aumento nas pessoas admitidas em enfermarias foi ainda mais intenso, passando de 1.712 para 3.413 no período, 99% a mais. 

Na última semana, o Estado teve um aumento diário de 7% nos pacientes em UTI e de 11% naqueles em leitos de enfermaria, que cresceram 99% em relação aos sete dias anteriores.

Nesta quarta-feira, 12, a taxa de ocupação nos leitos de UTI do Estado é de 39,01%, enquanto a lotação da Grande São Paulo está um pouco acima, em 46,35%. Segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, as novas internações têm "acontecido fundamental nas enfermarias".

“Precisamos observar que a condição clínica dos internados agora é muito menos grave e o tempo de internação muito mais curto em relação ao que víamos antes da vacinação”, disse Gorinchteyn. 

"O número de pessoas que se infectam ainda é elevado e o número de internações, mesmo que não seja com tanta gravidade como no início da pandemia, também é muito elevado", observou João Gabbardo. 

SP se junta a outros oito Estados com medidas restritivas

Nesta terça-feira, o governador João Doria já havia antecipado que seriam tomadas medidas neste sentido. "Vamos ter, evidentemente, restrições que já foram apresentadas para eventos de aglomerações, que é diferente. Grandes aglomerações não são recomendáveis e o Comitê Científico já expressou essa deliberação. Amanhã (quarta) teremos novas informações, já que hoje (terça) à tarde o Comitê se reúne e nos passará as recomendações", disse na oportunidade. 

A avaliação de membros do Comitê Científico é de que houve um grande relaxamento da população com o avanço da terceira dose da vacina no Estado e a liberação indiscriminada dos eventos. Até a última segunda-feira, quase 25% dos habitantes de São Paulo já haviam recebido a aplicação de reforço.

São Paulo se junta a outros oito Estados que já anunciaram nos últimos dias medidas mais restritivas para conter a alta de casos de covid-19. Ceará, Amapá, Amazonas, Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco e Bahia baixaram decretos que diminuíram a permissão máxima de público em eventos e expandiram a obrigatoriedade do passaporte de vacina. 

Cidades ainda analisam cenário epidemiológico

Muitas cidades paulistas ainda não se posicionaram sobre a recomendação do governo. Osasco disse que a Comissão da Covid, da prefeitura, está avaliando a situação epidemiológica do município para definir as estratégias. Segundo o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, que reúne Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, uma decisão deve sair nesta quinta-feira.

Já a prefeitura de Sorocaba aguarda a recomendação ser emitida em documento para analisar a situação epidemiológica e tomar uma decisão, assim como Campinas, que espera a publicação do decreto. “Em relação às orientações divulgadas hoje, a Prefeitura analisará e, se for necessário, publicará novas adequações”, afirmou, em nota, o município de Ribeirão Preto. Campinas também vai analisar as instruções do Estado. A cidade de Guarulhos, por sua vez, vai seguir a recomendação do governo estadual, de acordo com a prefeitura.

Compra de testes para covid

O governo paulista também anunciou a compra de 2 milhões de testes rápidos de antígenos para a covid-19, com grau de efetividade de 98% e resultados em 15 minutos. Eles serão disponibilizados aos municípios até fevereiro. "Os testes funcionam como uma bússola para diagnóstico rápido e ação efetiva para controle da doença", disse Doria.

A pasta estadual também encaminhou na terça-feira um ofício ao Ministério da Saúde, solicitando o envio de 2,5 milhões de testes extras para a distribuição às prefeituras. "Entendendo que testar é um guia para o controle da pandemia", afirmou Jean Gorinchteyn.

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