Werther Santana/Estadão - 22/12/20
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SP tem alta de 152% de novas internações pela covid em 3 semanas e abre mais 700 leitos

Média móvel de novas hospitalizações subiu para 1.393 na última semana; diante desse cenário, serão abertos 434 leitos clínicos e 266 unidades de terapia intensiva (UTIs) ao longo dos próximos dez dias, informou a gestão paulista

Ítalo Lo Re, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2022 | 12h47
Atualizado 26 de janeiro de 2022 | 19h10

SÃO PAULO – As novas internações por covid-19 ou suspeita da doença subiram 152% em São Paulo em um período de três semanas. Diante desse cenário, o governo paulista anunciou nesta quarta-feira, 26, a abertura de 700 novos leitos, ao longo dos próximos dez dias, para atender pacientes com sintomas respiratórios. Ao todo, serão 434 leitos clínicos e 266 unidades de terapia intensiva (UTIs) distribuídos em hospitais de diferentes regiões do Estado.

A média móvel de novas internações por dia, segundo dados da gestão estadual, estava em 552 no início do mês. Com o avanço da variante Ômicron do coronavírus, mais transmissível, o índice saltou para 1.393 na última semana. "Exatamente frente a isso, e em concomitância ao fato de nós termos praticamente seis regiões com mais de 80% da ocupação (de leitos), que medidas precisaram ser tomadas pelo governo do Estado de São Paulo", disse o secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn.

Atualmente, a ocupação de leitos de UTI na Grande São Paulo, área mais populosa, é de 73,42%. Em todo o Estado, o índice está em 68,67%, o que corresponde a 3.633 pessoas. Há ainda um total de 7.324 pessoas internadas em leitos de enfermaria. "Isso totalizaria quase 11 mil pessoas internadas nos hospitais", apontou Gorinchteyn. "Lembrando que no pico da nossa segunda onda nós tivemos 13.150 pessoas internadas somente nas unidades de terapia intensiva."

Apesar de o Estado estar passando por uma situação distinta à do primeiro semestre do ano passado, o secretário explicou que foi observado aumento nas novas internações "especialmente na última semana". A alta teria motivado a abertura dos 700 novos leitos – 434 de enfermaria e 266 de UTI – para atendimento de pacientes de covid no Estado.

"Nós estamos ampliando em cerca de 10% a 15% os leitos de UTI destinados exclusivamente a (pacientes de) covid", disse Eduardo Ribeiro, secretário executivo da Secretaria Estadual da Saúde. "Esse é um número significativo, porque ainda não atingimos a utilização plena da capacidade e temos capacidade de ampliar ainda mais."

A abertura de novos leitos visa a auxiliar na absorção da demanda em unidades hospitalares de 14 regiões do Estado: serão contemplados municípios da Grande São Paulo e também das regionais de saúde de Araraquara, Baixada Santista, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Presidente Prudente, Registro, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, Sorocaba e Taubaté.

"Neste momento, o foco da ampliação da rede estadual de Saúde está nos leitos de enfermaria, já que, por conta dos elevados índices de vacinação no Estado de São Paulo, nós temos tido um agravamento menor da doença e, portanto, os chamados leitos primários, aqueles de internação, são os mais importantes neste momento", apontou o governador João Doria (PSDB).

A gestão paulista não prevê adotar novas medidas de restrição ao comércio, diferentemente do que foi feito em outros períodos da pandemia. Ainda assim, o governo Doria suspendeu a liberação do uso de máscaras em locais abertos e recomendou o adiamento do carnaval deste ano e a redução de público nos estádios para 70% da capacidade.

Vacinação de crianças

Conforme o governo paulista, São Paulo atingiu nesta quarta a marca de 500 mil crianças de 5 a 11 anos vacinadas com a primeira dose contra a covid-19. O número corresponde a pouco mais de 12% do público apto a receber as chamadas vacinas pediátricas, que são administradas em dosagem menor ao imunizante destinado a adolescentes (de 12 ou mais) e adultos.

Enquanto a vacinação do público infantil avança, a parcela de adolescentes e adultos jovens que não voltaram aos postos para receber a segunda dose tem se desenhado como uma preocupação da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP), afirmou ao Estadão a coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI), Regiane de Paula. "Cerca de 1,3 milhão de pessoas não voltaram para tomar a segunda dose e completar esquema vacinal. Isso precisa acontecer. É preciso sensibilizar esse público", disse.

O avanço da cobertura vacinal é importante, entre outros pontos, para conter o avanço da variante Ômicron. A cepa tem sido apontada como a causa central do aumento de casos de covid no País. Números do Observatório Covid Fiocruz atestam que em sete unidades da Federação a ocupação dos leitos de UTI covid-19 ultrapassa 80%; o Distrito Federal chegou à ocupação máxima.

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