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SP anuncia usina para garantir oxigênio a pacientes de covid; média diária de mortes aumentou 35,4%

Estado está há uma semana na ‘fase emergencial’, a mais restritiva do Plano SP

João Ker, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2021 | 12h35

O governo de São Paulo anunciou durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira, 22, que vai criar uma usina de oxigênio em Ribeirão Preto, para atender à demanda de pacientes do coronavírus no Estado, que completa uma semana na fase emergencial do Plano SP. A iniciativa é uma parceria com a Ambev e com a Copagaz, com previsão de lançamento em 10 dias.  

Em reunião com empresários nesta manhã, o governador João Doria teria mobilizado a iniciativa privada para aumentar a produção e distribuição de oxigênio no Estado. De acordo com o vice-governador Rodrigo Garcia, a Ambev será a responsável por criar a usina e teria se comprometido a doar integralmente a produção diária de 120 cilindros de oxigênio. Ao mesmo tempo, a Copagaz ficará responsável por usar a sua frota para o transporte e logística dos cilindros, atendendo as redes estadual, municipal, filantrópica e privada.

O governo ainda negou que haja risco de desabastecimento de oxigênio na rede estadual, e que a abertura da usina visa suprir o aumento dessa demanda. "A reunião do governador foi justamente para ampliar a visão e apoio do Estado para todas as redes de São Paulo, mesmo aquelas que não [sejam] de responsabilidade direta do governo", afirmou Garcia. 

"Temos um desafio com cilindros porque passamos a ter UTIs em regiões descentralizadas e fizemos uma expansão muito grande da nossa rede, o que trouxe esse desafio de termos os oxigênios através de cilindros, e não de tanques", explicou Patrícia Ellen, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia. 

João Gabbardo, coordenador do Centro de Contingência da Covid, ainda rebateu as afirmações do Ministério da Saúde feitas nesta manhã, de que a compra dos medicamentos para o chamado "kit intubação" é obrigação dos Estados e municípios. "Mesmo os hospitais privados hoje têm dificuldade de acessar esses materiais, mas fundamentalmente é importante que o governo federal cumpra com a sua parte. O mercado nacional está desabastecido. O Ministério da Saúde, através da Anvisa e com as suas próprias prerrogativas, precisa facilitar a importação e os registros de produtos para que se possa substituir os atuais fornecedores." 

No domingo, o Itamaraty pediu ajuda internacional para comprar os insumos necessários ao "kit intubação". Mas enquanto essa ajuda não chega, o secretário estadual da Saúde Jean Gorinchteyn afirmou que o Estado tem alterado os protocolos vigentes e recomendado o uso dos medicamentos diponíveis para a intubação dos pacientes. "Não faltam kits anestésicos. Temos identificado que algumas regiões chegaram ao seu limite de utilização porque foram solicitados maior número de pacientes necessitando ir para a UTI e ventilação mecânica. Por isso a sua utilização foi maior. Temos um sistema de logística no próprio Estado, que faz com que uma região acabe suprindo a outra", disse.  

De acordo com ele, o governo estadual ainda tem antecipado atas de compras para suprir uma demanda emergencial, se esse for o caso. Garcia também anunciou que o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) já oficiou o Ministério da Saúde e aguarda uma resposta sobre a coordenação de insumos para o enfrentamento à pandemia.

Ainda nesta segunda, o Estado registrava uma taxa de ocupação em leitos de UTI de 91,2%, enquanto a região metropolitana da capital chegou a 91,3%. Na coletiva, Garcia reforçou a cobrança para que o governo federal obedeça à determinação do Supremo Tribunal Federal e volte a arcar com o financiamento dessas vagas na rede estadual. De acordo com ele, os repasses feitos até agora só cobrem 20% dos leitos.

"O governo federal tem deixado Estados e municípios brasileiros em uma situação asfixiante. Ele é ausente, seja no oxigênio, no financiamento de UTIs, e faz isso de maneira deliberada. O que estamos vivendo é uma negação ao SUS", afirmou o vice-governador, anunciando que o Hospital de Vila Penteado, na Zona Norte da capital, passará a atender apenas pacientes do coronavírus. Ao todo, serão 196 novos leitos, dos quais 141 são de enfermaria e os outros 55 de UTI. A unidade faz parte da expansão anunciada pelo governo no início do mês.

Avanço da pandemia

De acordo com os dados apresentados na coletiva, a média diária do Estado aumentou 17,7% em novos casos da covid-19, 18,8% nas internações e 35,4% no número de óbitos, quando comparada com a da semana epidemiológica anterior. Jean Gorinchteyn ainda anunciou que, nesta segunda, ao menos 61 municípios já haviam atingido a sua capacidade máximo em leitos de tratamento intensivo. 

Ao todo, 12.068 pessoas estão internadas em leitos de UTI e outras 16.570 em leitos de enfermaria do Estado. Apesar das medidas de restrição e da "fase emergencial", o índice de isolamento no último domingo foi de apenas 51%, o que representa aumento de apenas 1% em relação à média dos domingos anteriores. No sábado, essa taxa foi ainda menor, de 47%. 

Entrega de vacinas

Nesta manhã, o Instituto Butantan entregou mais 1 milhão de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde, totalizando 25,6 milhões de doses repassadas até agora ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).

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