Dida Sampaio/Estadão - 20/11/2021
João Doria afirma que governo vai manter a exigência do uso de máscaras em espaços abertos em SP. Dida Sampaio/Estadão - 20/11/2021

Governo de SP decide manter obrigatoriedade do uso de máscaras diante da nova variante Ômicron

Decisão foi divulgada nesta quinta-feira pelo governador João Doria e leva em consideração cenário de nova cepa e riscos de aglomerações no fim do ano

Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 09h52

O governo de São Paulo decidiu manter a exigência do uso de máscaras em espaços abertos no Estado. A decisão do governador João Doria (PSDB) atende a uma posição do Comitê Científico e representa uma revisão do que havia sido decidido na semana passada. 

A flexibilização do uso de máscara estava prevista para começar a partir do próximo dia 11. Desde o anúncio, que ocorreu na quarta-feira, 24, as preocupações mundiais com a variante Ômicron aumentaram, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a alertar sobre o potencial de risco que a cepa representa. Três casos da nova cepa já foram confirmados no Estado de São Paulo.


“Decidimos adotar essa medida por prudência com o cenário epidemiológico no Estado. Todos os números demonstram que a pandemia está recuando em São Paulo, mas vamos optar pela precaução. O nosso maior compromisso é com a saúde da população”, disse Doria, de acordo com nota divulgada pelo governo.

Na recomendação feita ao governo, o Comitê Científico disse haver incertezas quanto ao "impacto da variante Ômicron às vésperas do fim de ano". "Os períodos de Natal e do Réveillon costumam provocar grandes aglomerações, o que facilita a transmissão de doenças respiratórias como a covid-19", destacou a nota.

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Prefeitura de SP cancela réveillon da Avenida Paulista

Decisão foi baseada em parecer elaborado pela Vigilância Sanitária de São Paulo; principal motivação foi o avanço da variante Ômicron

Priscila Mengue e Pedro Venceslau*, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2021 | 09h20
Atualizado 02 de dezembro de 2021 | 16h03

Com o avanço da variante Ômicron do vírus da covid-19, a Prefeitura de São Paulo anunciou nesta quinta-feira, 2, o cancelamento do réveillon da Avenida Paulista e a manutenção do uso de máscaras obrigatório, inclusive em ambientes externos. A decisão do prefeito, Ricardo Nunes (MDB), foi baseada em um parecer da Vigilância Sanitária e confirmada ao Estadão em Nova York, onde ele cumpre missão oficial em conjunto com o governador João Doria (PSDB). Com isso, já são 19 as capitais que suspenderam a festa

A decisão é motivada em parte pelo avanço da nova cepa em diferentes continentes, cujos primeiros casos no País foram confirmados na terça-feira, 30. A gestão municipal tem destacado que as taxas da capital paulista seguem “favoráveis” em relação a outros períodos da pandemia.

"O que pesou muito foi o surgimento da nova variante, Ômicron", afirmou Nunes. Ele descartou restringir grandes eventos na cidade por ora, e argumentou que o numero de óbitos caiu bastante.  "Hoje, apesar da variante, a situação é controlada. Vamos continuar tendo eventos com comprovante de vacinação", disse. Segundo ele, um novo estudo da Vigilância sanitária sobre o uso obrigatório de máscara e a presença da nova cepa será entregue no fim de dezembro.

O prefeito disse que a Secretaria de Saúde vai monitorar o cenário da pandemia para decidir sobre a realização do carnaval. "São Paulo não fará nada por pressão. Não é coerente tomar uma decisão agora sobre carnaval", comentou. Ele descartou exigir passaporte vacinal em bares restaurantes da capital paulista.

Quando à corrida de São Silvestre, que tradicionalmente é realizada no dia 31 de dezembro e reúne milhares de atletas, Nunes disse que a prova está mantida. "É possível haver a corrida porque as pessoas farão o teste e não existe aglomeração. Evidentemente, é uma nova variante, pode ser que surja algum fato novo relevante nos próximos dias. Na data de hoje está mantida porque não houve nenhuma indicação contrária da Vigilância Sanitária."

Na quarta-feira, 1º, Doria defendeu que prefeitos paulistas suspendam as festas de réveillon no Estado. "Vamos no caminho da cautela e do zelo para proteger vidas. Não era hora de fazer festas de réveillon", disse. "Embora seja decisão dos municípios, não me parece a hora adequada", acrescentou. 

Com a chegada da Ômicron e a quarta onda da covid-19 na Europa, ao menos 19 capitais no Brasil desistiram de eventos públicos no fim do ano. Entre elas, também estão Salvador, Fortaleza, Florianópolis, João Pessoa, Belo Horizonte, Recife, Brasília, Belém, São Luís, Campo Grande, Palmas, Teresina, Aracaju, Porto Alegre, Cuiabá, Vitória e Goiânia. Nesta semana, a Prefeitura do Rio afirmou esperar mais informações para decidir se manterá a realização do evento em Copacabana.

Último réveillon, de 2019 para 2020, levou 2 milhões para a Paulista

O último réveillon (da virada de ano de 2019 para 2020) levou cerca de 2 milhões de pessoas à Avenida Paulista, segundo informações divulgadas na época pela Prefeitura. Um levantamento do Observatório do Turismo, ligado à gestão municipal, identificou que 59% dos frequentadores moravam na cidade, enquanto 18,9% viviam em outros municípios da Grande São Paulo, 7,1% no interior paulista, 14,7% em outros Estados e 0,2% no exterior.

A festa da virada para o próximo ano estava em preparativos. A contratação da São Paulo Turismo (SPTuris), empresa de economia mista controlada pela Prefeitura, para serviços de planejamento, produção, execução e fiscalização chegou a ser autorizada pela gestão municipal em despacho publicado em 17 de novembro, pelo custo de R$ 6,2 milhões. 

Após ter cancelado a edição passada por causa da pandemia, a gestão municipal chegou a montar comissões específicas para a realização de eventos de fim de ano e do carnaval de rua ainda em julho. “Para que ocorram os eventos previstos neste decreto, poderão ser previstos protocolos sanitários e indicadores de acompanhamento da pandemia estabelecidos em conformidade com a orientação técnica da Secretaria Municipal da Saúde”, destacava o texto.

*O repórter viajou a convite da InvestSP

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Ao menos 15 capitais cancelam réveillon em meio a avanço da covid no exterior

Espalhamento da variante Ômicron, com casos confirmados no Brasil, preocupam gestores e autoridades; ao menos 20 capitais já cancelaram eventos de ano-novo. Prefeito do Rio anunciou cancelamento na manhã deste sábado

Ítalo Lo Re, João Ker, Leon Ferrari e Luiz Henrique Gomes, especial para o Estadão

29 de novembro de 2021 | 10h56
Atualizado 04 de dezembro de 2021 | 08h32

SÃO PAULO – Com a quarta onda da covid-19 na Europa e o avanço da variante Ômicron, ao menos 20 capitais brasileiras já cancelaram eventos públicos de Réveillon. Até a manhã deste sábado, 4, Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Natal, Palmas, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória anunciaram o cancelamento das festas de ano-novo. O Prefeito do Rio de Janeiro também anunciou o cancelamento da festa. 

Além das capitais citadas, Curitiba também não vai realizar festa de réveillon este ano. Entretanto, a prefeitura informou que não costuma celebrar a data com grandes eventos mesmo em períodos fora da pandemia. 

As decisões foram anunciadas após a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviar aos governos um alerta em que aponta risco global “muito alto” da variante Ômicron. Entretanto, o alerta da OMS ressalva que há poucas evidências concretas sobre se a nova cepa é mais transmissível ou escapa das vacinas. 

A nova cepa do vírus, detectada pela primeira vez na África do Sul, impulsionou os planos de evitar aglomerações, que já ocorriam ao longo do mês – mais de 70 municípios paulistas já haviam desistido do carnaval. No Brasil, três casos de infectados pela Ômicron foram confirmados até quarta-feira, 1º.

Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) diz que, com ou sem Ômicron, “todos que puderem suspender aglomerações” devem adotar a medida. “Não podemos baixar a guarda”, defende. Levantamento da CNM, feito de 16 a 19 de novembro, aponta que, de 2.362 gestores ouvidos, 97,8% pretendiam continuar com a máscara obrigatória em locais privados e 88,6% disseram mantê-la em espaços públicos. 

Cancelamentos

Nesta quinta-feira, 2, a Prefeitura de São Paulo cancelou a festividade, por conta do avanço da variante Ômicron. A decisão do prefeito, Ricardo Nunes (MDB), foi baseada em um parecer da Vigilância Sanitária e confirmada ao Estadão em Nova York, onde ele cumpre missão oficial em conjunto com o governador João Doria (PSDB), a convite da InvestSP.

O prefeito de Cuiabá, no Mato Grosso do Sul, Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou que vai editar decretos proibindo a realização de festas públicas e privadas de Réveillon e de Carnaval. Festejos familiares, no âmbito residencial, estão liberados. “Independentemente se ela (variante Ômicron) é mais agressiva ou menos agressiva, me parece que ela tem um poder de propagação muito rápido”, disse em coletiva de imprensa, na quarta-feira, 1º.

Pinheiro também informou que a cidade vai passar a cobrar passaporte de vacinação - mas, antes de publicar o decreto, vai conversar com o setor produtivo. A medida, segundo ele, será tomada por conta da nova variante e porque mais de 18 mil cuiabanos não tomaram nenhuma dose da vacina contra covid e outros 50 mil não retornaram para a segunda. 

“Diante das recentes notícias sobre o avanço da nova variante do vírus Covid-19, decidi cancelar as festas programadas para o Réveillon”, afirmou o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), na terça-feira. O Distrito Federal cancelou todas as festas públicas para comemoração do Réveillon, que aconteceriam em cinco palcos descentralizados, com entrada da população que estivesse com o ciclo básico de vacinação concluído. 

Em Recife, a prefeitura garantiu a queima de fogos na orla da praia de Boa Viagem e espetáculos em outros quatro lugares. Entretanto, os tradicionais shows de fim de ano, que chegam a reunir cerca de 1 milhão de pessoas, estão cancelados. “Não haverá shows promovidos pela Prefeitura do Recife no Réveillon da nossa cidade”, disse o prefeito João Campos (PSB) nesta terça-feira.

“Diante da chegada de uma nova variante do coronavírus e do aumento de casos na Europa, estou tomando a decisão de cancelar o Virada Salvador deste ano”, escreveu o prefeito soteropolitano, Bruno Reis (DEM), nas redes sociais. O evento costuma reunir mais de 250 mil pessoas. Reis prevê adiar ao máximo a decisão sobre o carnaval – ele quer bater o martelo com o governador baiano, Rui Costa (PT). Pressionado por empresários do setor, Costa já sinalizou cautela. “Países estão fechando cidades quando aparecem cinco casos”, disse, no dia 18. 

Na sexta, o governo do Ceará informou o cancelamento da tradicional Festa da Virada, na Praia de Iracema, em Fortaleza. “Até chegamos a considerar a possibilidade de realizar nossa tradicional festa da virada, se a situação permitisse”, disse o prefeito José Sarto (PDT). “O cenário internacional é preocupante.”

Florianópolis vai ter queima de fogos, mas não shows musicais. Por outro lado, a capital catarinense prevê festividades natalinas, com público. O Estado suspendeu a exigência de máscaras em local aberto desde a semana passada. 

A Prefeitura de Natal, no Rio Grande do Norte, cancelou toda a programação do Réveillon. Os shows musicais na Redinha, a queima de fogos na Ponta Negra e na Ponte Newton Navarro, não vão mais acontecer.

Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) cancelou a festa de Réveillon dos 250 anos da cidade, que ocorreria na Orla do Guaíba, junto à Usina do Gasômetro.

João Pessoa cancelou a festa, mas o acesso às praias está liberado. Belo Horizonte disse não planejar festa pública de réveillon. Guarujá, que já havia cancelado a virada, decidiu suspender o carnaval. 

Em avaliação 

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), em coletiva de imprensa na segunda-feira, 29, disse que a gestão analisa a liberação das festas de ano-novo com “cautela”. Porém, a decisão pela realização ou não do evento deve ser anunciada entre os dias 10 e 12 de dezembro. 

O evento para o Réveillon, segundo Almeida, já está contratado e parcialmente pago, mas, se necessário, adiará a festividade. “Manaus sofreu muito no início desse ano e nós não queremos que isso retorne”, declarou.

Em Rio Branco a situação é semelhante, a decisão ainda não foi tomada. A Prefeitura declarou que aguarda o posicionamento do Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19 da cidade.

As festividades de ano-novo estão mantidas em Maceió. A Prefeitura da cidade informou, contudo, que a realização das festas "dependerá da situação sanitária do país com relação à covid e dos protocolos sanitários que estarão vigentes no período". "O Município segue ouvindo as instâncias sanitárias e, em caso de orientação contrária, voltará a debater a questão", disse em nota./COLABOROU SOFIA AGUIAR

 

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