Andre Penner/AP
Andre Penner/AP

Governo de São Paulo defende manter em atividade de hospitais da Prevent Senior

Até terça, plano de saúde particular concentrava 58% das mortes por coronavírus no Estado; MP abre investigação para acompanhar medidas

Felipe Resk e Paloma Cotes, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2020 | 19h31

Correções: 02/04/2020 | 11h05

SÃO PAULO — A gestão João Doria (PSDB) defendeu nesta quarta-feira, 1.º, o funcionamento de hospitais da rede Prevent Senior, responsável pela maioria dos registros de morte pelo novo coronavírus  no Estado de São Paulo. Após fazer inspeção no Hospital Sancta Maggiore, a Prefeitura havia solicitado à Secretaria Estadual da Saúde a intervenção temporária em unidades da capital. Na tarde desta quarta, o Ministério Público de São Paulo (MPE-SP) também instaurou inquérito civil para acompanhar as medidas adotadas pelo governo do Estado. 

Voltada para o atendimento a idosos, a Prevent Senior concentrava 79 das 136 mortes notificadas por coronavírus no Estado, ou 58%, até a terça-feira, 31. A empresa afirma que atende a todos os protocolos das agências de saúde do país e da Organização Mundial de Saúde.

Entre os problemas detectados pela gestão Bruno Covas (PSDB), estariam o isolamento inadequado de pacientes com covid-19 e descumprimento de notificação obrigatória de casos suspeitos. O ofício da Prefeitura foi encaminhado ao governo do Estado no dia 27. 

Questionado sobre o pedido, no entanto, o secretário estadual da Saúde, José Henrique Germann, se mostrou contrário à intervenção nas unidades privadas. Ele também afirmou que equipes estaduais acompanharam vistorias. "Nas primeiras visitas que foram realizadas, algumas modificações tiveram de ser feitas, ajustes. Nada que justificasse o fechamento do hospital”, disse. “Estamos conversando a todo momento a respeito deste caso.”

Uma nova inspeção foi realizada nesta quarta, 1º, por equipes municipais e estaduais, conforme o secretário. “A ideia é que iremos quantas vezes forem necessárias”, afirmou. “O intuito é que a gente possa ajudar e ajustar o hospital à medida das necessidades ao invés de tirar os pacientes de lá. Com isso, a gente pode ajudar o hospital, ajudar os pacientes e isso vai fazer com que possamos ter, ao longo desse período, um atendimento de qualidade e eficiente.”

Ainda segundo Germann, a rede Prevent Senior teria, ainda, normalizado a informação dos casos com o poder público. “Eles têm pacientes graves, todos os pacientes que morreram tiveram a notificação. No começo, tiveram certa dificuldade de notificar, mas isso foi regularizado."

Após a coletiva, a reportagem perguntou à Secretaria Estadual da Saúde, por e-mail, se a intervenção estaria descartada. A pasta informou que, técnicos das Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica do Estado, em conjunto com a Coordenadoria de Vigilância em Saúde da Prefeitura, estiveram no Hospital Sancta Maggiore no Paraíso, na zona sul. Segundo a nota, houve "inspeção colaborativa para avaliar os protocolos e fluxos de atendimento", notificação de casos e "condições técnicas e sanitárias da unidade". A secretaria diz estar trabalhando no relatório referente à visita.  

À Prefeitura, a reportagem perguntou se a solicitação de intervenção seria mantida e também solicitou o resultado da vistoria. Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde informou que "solicitou intervenção temporária nas Unidades Paraíso, Pinheiros e Jardim Paulista do Hospital Sancta Maggiore por meio de ofício encaminhado no dia 27/03 à Secretaria Estadual de Saúde (SES). A solicitação levou em conta a subnotificação e outras inconformidades encontradas no serviço. Assim, a SES foi comunicada e inspeções conjuntas estão sendo realizadas, com o intuito de corrigir as situações encontradas", diz o texto.  Ainda segundo a Secretaria Municipal da Saúde, "o objetivo da solicitação de intervenção é assegurar que os atendimentos nas unidades citadas sejam realizados em conformidade com as normas e protocolos previstos. Portanto, não implica em interrupção dos serviços prestados."

MP abre investigação para acompanhar medidas

À tarde, a Promotoria de Direitos Humanos, do MPE-SP, instaurou inquérito civil para acompanhar as medidas adotadas pelo governo em relação ao Hospital Sancta Maggiore. Assinada pela promotora de Justiça Dora Martin Strilicherk, a portaria afirma que a situação “revela extrema gravidade” e que o hospital “estaria sendo também fonte de contaminação para os seus profissionais de saúde e doentes encaminhados à UTI por outras enfermidades”.

Segundo a portaria do inquérito, a Secretaria Estadual da Saúde tem prazo de cinco dias para informar quais procedimentos serão aplicados à Prevent Senior. “Principalmente com a finalidade de orientar e estancar, com a brevidade necessária, os fatos apurados pelas vistorias técnicas”, diz o documento.

Em nota, assinada pelo advogado Nelson Wilians, que representa a rede, a Prevent Senior afirma que “as investigações serão uma excelente oportunidade para esclarecer todas as inverdades divulgadas na imprensa, com interesses escusos e que vão contra os atuais anseios da sociedade, de tratamento digno às pessoas que precisam e esperança de vida”                                 

“A rede Prevent Senior prestará todas as informações que vierem a ser requisitadas pelo Ministério Público. E está aberta para, junto com a Secretaria de Saúde do Estado, unir esforços no combate ao coronavírus”, afirma a nota.

Correções
02/04/2020 | 11h05

Diferentemente do publicado anteriormente, a Prefeitura de São Paulo não solicitou a interdição de unidades do Hospital Sancta Maggiore. A solicitação foi de intervenção temporária. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, esse pedido de intervenção não implica em fechamento de unidades ou interrupção dos serviços de assistência prestados pelo Hospital. 

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