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Governo SP
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SP começa a produzir 1 milhão de doses da Butanvac; Anvisa cobrou mais documentos

Previsão é de que 18 milhões de doses estejam disponíveis na 1ª quinzena de junho, mas órgão regulador pediu mais dados ao instituto paulista; gestão Doria também amplia horário de funcionamento para comércio e serviços

João Ker, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2021 | 12h39
Atualizado 29 de abril de 2021 | 14h05

O governo de São Paulo anunciou em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 28, que começa a produzir ainda nesta quarta-feira, 28, o primeiro lote de um milhão de doses da Butanvac, vacina contra o coronavírus desenvolvida pelo Instituto Butantan. Segundo o governador João Doria (PSDB), a expectativa é que 18 milhões de doses estejam disponíveis ainda na primeira quinzena de junho e prontas para a distribuição, a depender do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para os testes com o imunizante e os resultados dos ensaios clínicos. O órgão regulador, porém, cobrou mais documentos do órgão paulista para liberar os estudos em humanos. 

Dimas Covas, presidente do Butantan, afirmou que a capacidade de produção pode chegar a até 40 milhões de doses da Butanvac no segundo semestre deste ano, além das outras 18 milhões previstas para até 15 de junho. "Não dependemos em nada de importação e de licenciamento. Somos totalmente independentes. Poderemos atender o Brasil e até parte do mundo", declarou.  

Na terça-feira, a Anvisa solicitou ao Instituto Butantan dados adicionais para avaliar a aprovação da Butanvac. Em nota, o Butantan disse que "manterá contato com o órgão regulador para viabilizar os esclarecimentos necessários ao seguimento do processo de autorização dos estudos clínicos de fases 1 e 2 da Butanvac".

Durante a coletiva desta tarde, Doria pediu "senso de urgência" à agência reguladora. "Menos burocracia e mais solidariedade", pediu o governador, afirmando que a produção da vacina pode chegar a até 100 milhões de doses até o fim do ano, a depender do aval para os testes. "O que queremos da Anvisa é urgência nas suas exigências. O processo original [da Butanvac] foi submetido em 26 de março. Muitas das questões que vieram são relativas a processo produtivo e não ao estudo clínico, per se, portanto já poderiam ter sido solicitadas", afirmou Covas. "Queremos agilidade. Que ela faça as perguntas que tem que fazer no menor prazo possível. Para isso eles são contratados."

Nesta semana, a Anvisa negou aval para importação de doses da vacina russa Sputnik V por dez Estados, o que motivou críticas de governadores. Cientistas, em contrapartida, elogiaram a posição da agência sanitária, que apontou falta de dados básicos e problemas nos estudos clínicos e no processo produtivo que impedem garantir eficácia, segurança e qualidade. 

Doria reforçou que, caso seja aprovada pela Anvisa, a Butanvac estará disponível para compra pelo Ministério da Saúde. "Levamos mais de três meses para convencer o ministério de que era importante ter a vacina do Butantan disponível para os brasileiros", frisou. A Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) informou ao Estadão que o órgão ainda não recebeu o pedido de estudos da Butanvac. 

O Butantan também antecipou para a próxima sexta-feira, 30, a entrega do lote de 600 mil doses da Coronavac, prevista inicialmente para 3 de maio. Covas afirmou ter pedido à Sinovac, laboratório chinês responsável pelo envio da matéria-prima, que aumentasse o volume do próximo carregamento de três para seis mil litros, suficientes para a produção de mais 10 milhões de vacinas. Ele também alertou que a 2ª dose da vacina deve ser aplicada mesmo depois do prazo inicial de 28 dias caso ocorra atraso. 

Vacina no ovo

A Butanvac é produzida a partir do cultivo de cepas do vírus Sars-CoV-2 em ovos de galinha embrionados. Uma solução com o vírus inativada é colocada dentro do ovo que, antes, passa por uma inspeção com aplicação de luz. Em seguida, ele precisa ficar na incubadora por cerca de três dias para a multiplicação viral. 

Após o período, há o resfriamento do ovo e a coleta do líquido com o vírus concentrado e replicado, que ainda passa por processos de purificação, clarificação, filtração e, finalmente, envase. Nesta quarta, o governo afirmou já ter um lote inicial com 520 mil ovos. Segundo Covas, serão entregues 30 lotes com esse quantitativo até o fim do ano. 

A tecnologia da Butanvac, apresentada pelo Instituto Butantan como sendo 100% nacional, foi desenvolvida no ano passado por pesquisadores do Instituto Mount Sinai, de Nova York. Em nota posterior, o Butantan reconheceu que "firmou parceria e tem a licença de uso e exploração de parte da tecnologia, que foi desenvolvida pela Icahn School of Medicine do Hospital Mount Sinai de Nova Iorque, para obter o vírus".

A produção da Butanvac neste semestre será feita em três lotes, cada um deles com seis milhões de doses da vacina. De acordo com o calendário divulgado, o primeiro será entregue no próximo dia 18; o segundo, em 1º de junho; e o terceiro, em 15 de junho. 

Fase de transição

O governo de São Paulo anunciou a prorrogação da "fase de transição" do Plano SP, entre a vermelha e a laranja, por mais uma semana, até o próximo dia 9. A partir do sábado, 1º, o horário de atendimento para serviço e comércio também será ampliado, com permissão de funcionamento das 6h às 20h. 

Com a nova flexibilização, a "fase de transição" se aproxima ainda mais das fases laranja e amarela do Plano SP, que permitem a abertura dos mesmos setores pelo mesmo horário, mas dependem de índices melhores da pandemia para serem oficialmente implementadas. A principal diferença agora é na possibilidade de regionalização das medidas e na orientação da capacidade máxima de atendimento: a fase atual permite apenas 25% da lotação do espaço, enquanto as outras admitem atendimento a 40%.  

Entretanto, como o Estadão mostrou, a capacidade de atendimento prevista nessa fase de flexibilização já estava sendo desrespeitada desde a última semana, quando bares, restaurantes e parques excederam o limite máximo de público, recebendo pessoas sem máscara ou distanciamento.  

Avanço da pandemia

De acordo com os números do Estado apresentados na coletiva, houve redução de 15,7% nos novos casos, de 6,8% nas internações e de 21,8% nos óbitos pela covid durante a última semana epidemiológica, em comparação com a anterior. O secretário estadual de Saúde Jean Gorinchteyn apontou ainda que São Paulo apresenta queda nas novas internações pela covid por quatro semanas consecutivas.

Nos índices por 100 mil habitantes, o Estado caiu da média de 800 casos novos para 423 e de 100 internações para 72. Paulo Menezes, coordenador do Centro de Contingência, afirmou, entretanto, que essas taxas ainda são elevadas e estão acima do que era registrado no início deste ano. 

"Os números ainda são altos. Se lembrarmos que tínhamos 200 casos no início do ano e 50 internações por 100 mil, ainda temos um caminho pela frente que requer todos os cuidados", afirmou Menezes. "O Centro de Contingência entende a necessidade de retomada progressiva das atividades suspensas, mas reforça a importância de mantermos o distanciamento social e medidas como uso de máscaras e higienização com álcool em gel."

Nas últimas 24 horas, São Paulo registrou 17.013 novos casos e 863 mortes pelo coronavírus, chegando ao total de 2.873.238 testes positivos e 94.656 óbitos pela doença. A taxa de ocupação em leitos de UTI está em 80% no Estado, e em 78,4 na Grande SP. / COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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