Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Doria diz que todos os adultos de SP serão vacinados até 31 de outubro; veja quando será sua vez

Novo cronograma antecipa em 2 meses imunização da população em geral, mas depende do cumprimento de entregas previstas por parte do governo federal; Estado, porém, diz trabalhar com uma ‘margem de erro’ e uma reserva estratégica de 30 milhões de doses

Mariana Hallal e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2021 | 12h41
Atualizado 02 de junho de 2021 | 22h23

O governador João Doria (PSDB) prometeu nesta quarta-feira, 2, vacinar pelo menos com a primeira dose todas as pessoas acima de 18 anos, que moram em São Paulo, até o fim de outubro. Mais otimista, o novo cronograma antecipa em dois meses a imunização da população em geral no Estado, mas depende do cumprimento de entregas previstas por parte do governo federal.

Veja a programação da aplicação da primeira dose contra a covid-19 em São Paulo:

  • 55 a 59 anos: 1º a 20 de julho;
  • Profissionais da educação: 21 a 31 de julho;
  • 50 a 54 anos: 2 a 16 de agosto;
  • 45 a 49 anos: 17 a 31 de agosto;
  • 40 a 44 anos: 1º a 10 de setembro;
  • 35 a 39 anos: 11 a 20 de setembro;
  • 30 a 34 anos: 21 a 30 de setembro;
  • 25 a 29 anos: 1 a 10 de outubro;
  • 18 a 24 anos: 11 a 31 de outubro

Em setembro de 2020, quando o Ministério da Saúde ainda não havia fechado a compra da Coronavac e todas as doses ficariam para o Estado, Doria chegou a prever a imunização da população de São Paulo até fevereiro deste ano. Depois, o cronograma passou a considerar 31 de dezembro como a data-limite para aplicar a primeira dose do imunizante, a mesma do governo federal. Essa meta havia sido reafirmada recentemente por Doria, em entrevista coletiva na segunda-feira, e já era considerada “otimista” pelo direção do Instituto Butantan.

Em novo anúncio, nesta quarta-feira, 2, o plano do governo de São Paulo mudou, ficou mais ambicioso e adiantou em dois meses o cumprimento do cronograma de imunização. “Vamos vacinar toda a população adulta do Estado de São Paulo até 31 de outubro”, afirmou Doria.

Atualmente, 11,8 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose no Estado – o que representa 25,7% da população total. De acordo com o programa, a imunização para o público não prioritário começará no dia 1.º de julho, iniciando pelo grupo de 55 a 59 anos. Essa etapa, que vai evoluir sempre do mais velho para o mais novo, encerraria com a população de 18 a 24 anos, prevista para ser vacinada a partir de 11 de outubro. 

O quantitativo total que esses grupos etários representam em São Paulo ainda não foi informado pela Secretaria Estadual da Saúde. Segundo a pasta, a estimativa está em levantamento e é preciso desconsiderar jovens e adultos que já foram atendidos em etapas anteriores da campanha por fazer parte de grupo de risco ou exercer trabalho essencial, por exemplo.

Coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI), Regiane de Paula disse ser possível cumprir a meta até outubro. Segundo afirmou, o novo cronograma foi elaborado após análise das planilhas com previsão de entrega de novas vacinas, informada publicamente pelo governo federal. 

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Na atualização mais recente, o Ministério Saúde prevê distribuir para os Estados 43,8 milhões de vacinas ainda neste mês. Já no período entre julho e setembro, a pasta projeta mais 176,1 milhões de doses disponíveis no País. Esses valores incluem lotes de imunizantes já contratados ou com o processo de compra em andamento.

Um dos problemas é que, pelo histórico recente, a tendência é de que o número de doses disponíveis seja menor do que o projetado no site do ministério. Por isso, segundo Regiane, o governo paulista teria aplicado um “redutor” – ou seja, elaborado o novo cronograma já considerando a hipótese de não receber todas as entregas previstas.

O valor dessa “margem de erro”, no entanto, também não foi informado pela gestão Doria. “Temos a certeza de que se a entrega for feita de acordo com aquilo que está projetado pelo ministério, e até com uma possível redução de doses, poderemos completar o calendário vacinal”, disse Regiane.

Opção

Outra alternativa, de acordo com o governo paulista, é recorrer ao “estoque estratégico” de 30 milhões de doses de Coronavac, compradas diretamente do laboratório Sinovac. A previsão de entrega é em setembro e o lote também poderia ser utilizado para acelerar a campanha, segundo o governador. “Havendo sobras, nós ofereceremos vacinas para outros Estados brasileiros que tenham necessidade”, disse Doria.

Já o prazo para a imunização completa, com as duas doses, vai depender do tipo de vacina aplicada. O intervalo entre as doses de Coronavac é de quatro semanas, enquanto a segunda dose das vacinas da AstraZeneca e da Pfizer é aplicada 12 semanas após a primeira.

Na segunda-feira, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas afirmou que a previsão de imunizar toda a população adulta até o fim do ano – ou seja, ainda no cronograma anterior – era “muito otimista”. A declaração foi feita durante o evento “Webinário Diretos Já!: Desafios para uma Articulação Nacional no Enfrentamento à Pandemia”.

“Acho que falar vacina do ponto de vista contratual é um pouco diferente do recebimento mesmo dessas vacinas. A julgar pelo ritmo, não vai acontecer na velocidade que está prevista”, disse. Pela projeção de Covas, os grupos prioritários só devem terminar de ser vacinados entre o fim de setembro e o início de outubro. “Antes disso, não teremos essa possibilidade, mesmo porque o ritmo de vacinação nunca foi suficiente em nenhum momento para justificar uma aceleração muito grande”, afirmou. “Existe uma certa limitação. Todo mundo fala: o ministério poderia conseguir 2 milhões, 3 milhões de doses por dia. Isso nunca aconteceu. É muito difícil. A logística dessa vacina não é tão simples assim.”

Balanço geral

O número de pessoas vacinadas com ao menos uma dose contra a covid-19 no Brasil chegou nesta quarta-feira, 2, a 47.026.256, o equivalente a 22,21% da população total. Em 24 horas, 801.384 pessoas receberam a primeira dose da vacina, de acordo com dados reunidos pelo consórcio de veículos de imprensa com as secretarias de 26 Estados e Distrito Federal. Entre os mais de 47 milhões de vacinados, 22,6 milhões receberam a segunda dose, o que representa 10,69% da população com a imunização completa contra o novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, 256.785 pessoas receberam essa dose de reforço. Somando as vacinas de primeira e segunda dose aplicadas, o Brasil administrou 1.058.169 doses nesta quarta-feira.

Em termos proporcionais, o Mato Grosso do Sul é o Estado que mais vacinou a população até aqui: 30,05% dos habitantes receberam ao menos a primeira dose. A porcentagem mais baixa é encontrada em Rondônia, onde 12,74% receberam a vacina. Em números absolutos, o maior número de vacinados com a primeira dose está em São Paulo, seguido por Minas (4,92 milhões) e Bahia (3,49 milhões). / COLABOROU JOÃO KER


 

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