Prefeitura de Botucatu
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Governo de SP aplica 4ª dose em idosos com mais de 80 anos a partir de segunda

Como requisito, população-alvo necessita ter recebido 3ª dose há ao menos quatro meses; até o momento, 4ª dose estava sendo recomendada pelo Estado apenas para pessoas imunocomprometidas com 12 anos ou mais

Ítalo Lo Re e Isabela Moya, especial para o Estadão

16 de março de 2022 | 12h46
Atualizado 16 de março de 2022 | 16h16

SÃO PAULO – O governo de São Paulo irá iniciar na próxima segunda-feira, 21, a aplicação da 4ª dose da vacina contra covid-19 em idosos com mais de 80 anos. Como requisito, a população-alvo necessita ter recebido a 3ª dose há ao menos quatro meses. Até o momento, conforme orientação do Ministério da Saúde, a administração da 4ª dose estava sendo recomendada pelo Estado apenas para pessoas imunocomprometidas com 12 anos ou mais.

"Estão aptos a receber a 4ª dose a partir de segunda-feira, 21 de março, 900 mil idosos que residem no Estado de São Paulo que têm mais de 80 anos", disse o governador João Doria (PSDB). A expansão da campanha de imunização foi anunciada em coletiva realizada nesta quarta-feira, 16, em área externa do Palácio dos Bandeirantes. 

Secretário da Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn explicou que o público que será vacinado a partir de segunda tem a chamada imunossenescência, que é o envelhecimento do sistema imune. "Por isso, igualmente a esses grupos de imunodeprimidos, merece uma dose de reforço, garantindo, assim, que não haja impacto de internações e mortes", disse. "Lembrando que foi exatamente esse grupo que, frente à variante Ômicron, teve o maior impacto de mortalidade entre aqueles que estavam vacinados."

A coordenadora do Programa Estadual de Imunização (PEI), Regiane de Paula, reforçou que, ainda que a ampliação da 4ª dose esteja sendo feita porque o público-alvo acima de 80 anos é mais vulnerável, trata-se de "uma população que adere muito rapidamente à vacina". "Então, nós aguardamos a todos. Temos as vacinas disponíveis, todas as vacinas estão disponíveis", frisou. A recomendação da gestão paulista é que todos os imunizantes disponíveis na rede pública poderão ser aplicados nesta nova etapa.

Conforme a coordenadora do PEI, há perspectiva de ampliar a aplicação da 4ª dose para o público de 60 anos ou mais, mas não houve divulgação de datas específicas. "Essa população (de mais de 80 anos), neste momento, é nossa população-alvo. E aí nós traremos novos cronogramas, mostraremos novas fases, para que a gente possa avançar da mesma forma como a gente fez durante toda a campanha de vacinação", explicou.

Há um mês, o governo de São Paulo informou que previa iniciar no dia 4 de abril a aplicação da 4ª dose da vacina em idosos sem comorbidades no Estado. Conforme o médico João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê científico que assessora a gestão paulista, objetivo seria posteriormente reduzir, de forma sucessiva, as faixas etárias que receberão as vacinas, até chegar ao grupo de 60 anos. O intervalo mínimo de quatro meses seria aplicado para todos os grupos.

Foram aplicadas no Estado até aqui 102,4 milhões de doses contra a covid-19. Ao todo, 39 milhões de pessoas completaram o esquema inicial (dose única ou duas doses), o equivalente a 84,2% da população. Enquanto isso, 41,7 milhões de habitantes do Estado receberam ao menos a 1ª aplicação, o que corresponde a 92,7% do total. Com 3ª dose, são 21,8 milhões de pessoas, menos da metade da população de São Paulo.

A despeito da orientação do Estado, a prefeitura de Botucatu decidiu começar aplicar a 4ª dose da vacina contra a covid-19 a partir do início de fevereiro no grupo com mais de 70 anos. Neste mês, expandiu a aplicação para a faixa com mais de 60 anos. Como Botucatu, no ano passado, vacinou a população ao mesmo tempo na experiência de proteção em massa com a AstraZeneca, os idosos tomaram as doses há mais tempo. Na decisão local, foi considerado, portanto, o maior risco de queda de proteção das vacinas.

Como mostrou reportagem do Estadão, o Mato Grosso do Sul também já começou a vacinar idosos acima de 60 anos e profissionais de saúde com a 4ª dose. “Como observamos que 80% das mortes que estão ocorrendo por covid no Estado são de idosos a partir de 60 anos, seja com as três doses já tomadas ou com a vacinação incompleta, nós entendemos que é importante aplicar a quarta dose naqueles que tomaram a terceira há mais de quatro meses”, justificou em fevereiro o secretário da Saúde do Mato Grosso do Sul, Geraldo Resende. Os governos dos Estados de Espírito SantoAcre e Ceará admitiram estudar o tema. 

Especialistas aprovam ampliação da 4ª dose para idosos

Epidemiologista que coordenou o Programa Nacional de Imunização (PNI) entre 2011 e 2019, Carla Domingues afirma que o aumento de casos na população idosa, especialmente entre aqueles que já tomaram a 3ª dose há mais de seis meses, é um indicativo da necessidade de uma 4ª dose para essa faixa etária. “Acredito que o Ministério da Saúde já deveria estar planejando a 4ª dose para a população acima de 60 anos, ou pelo menos acima de 70 anos, se não for possível”, diz.

Conforme Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, a partir de quatro meses após a 3ª dose, já há uma diminuição da proteção conferida pela vacina aos idosos. Seis meses seria o prazo máximo para um reforço, segundo a especialista.

“A maior parte dos idosos do Estado de São Paulo fez o esquema homólogo de vacinação, ou seja, tomou as três doses da mesma vacina – a Coronavac  –, o que confere uma proteção inferior ao esquema heterólogo – quando o reforço é feito com uma vacina de outro laboratório”, explica Stucchi, reforçando a necessidade de o Estado de aplicar a quarta dose nos idosos. 

“Hoje, acho que deveríamos mudar essa terminologia”, diz a infectologista, em relação ao termo “4ª dose”. “Seria mais correto afirmar que os idosos, após as três doses, vão receber o reforço anual”. Ela explica que é possível que, para idosos e imunossuprimidos, sejam necessárias duas doses ao ano, com intervalo de 6 meses entre elas.

Em relação às demais faixas etárias, Domingues esclarece que ainda não há estudos que mostrem se há ou não necessidade de doses de reforços, nem mesmo se elas precisarão ser frequentes. “Com a covid, não temos claro se os vírus continuarão sofrendo mutações e qual será a duração da proteção da vacina na população em geral. Para idosos já é claro que não protege mais que seis meses, mas para outras faixas etárias, os estudos ainda irão definir”, afirma a epidemiologista.

Stucchi avalia que é possível que haja necessidade de uma dose anual para crianças e jovens saudáveis. “Mas para as outras faixas etárias, a gente ainda não tem tanta convicção, porque os dados ainda não mostram ainda a necessidade de doses de reforço”, afirma.

Desobrigação do uso de máscaras em espaços fechados segue indefinida

Na última semana, o governo do Estado anunciou a desobrigação do uso de máscaras ao ar livre no Estado. Na ocasião, também foi anunciada flexibilização do uso do acessório para alunos, professores e outros funcionários nos espaços abertos das escolas, mas manteve a exigência nas salas de aula e locais fechados. 

O governador informou ainda que avaliaria em duas semanas – portanto, no próximo dia 23 – se o Estado vai adotar, a exemplo de locais como o Rio de Janeiro, a liberação completa do uso de máscaras, o que poderia incluir espaços fechados. Não foram divulgadas novidades quanto a isso nesta quarta.

Especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que, se implementada, a desobrigação em ambientes fechados pode ser precipitada, uma vez que locais com pouca ventilação são os mais propícios para infecção pelo coronavírus. Alertam ainda que, apesar de tendência de qeuda, os indicadores da pandemia seguem em patamar consideravelmente alto, o que requer manutenção de medidas não farmacológicas.

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