Governo do Estado de São Paulo
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Governo de SP diz que, pela 1ª vez, doença é maior em contaminados no interior do que na capital

Doria afirma que irá acionar o MP e a Justiça caso alguma prefeitura não respeite as medidas estabelecidas no Plano São Paulo, o programa de reabertura gradual da economia

Felipe Resk e Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 13h53
Atualizado 22 de junho de 2020 | 21h45

 O Estado de São Paulo chegou à marca de 12.634 mortes e 221.973 casos de covid-19, segundo dados divulgados nesta segunda-feira, 22, pela gestão João Doria (PSDB). De acordo com o governo, a pandemia registra avanço no interior que, pela primeira vez, superou a Grande São Paulo nas novas notificações da doença.

Foram 2.788 casos de coronavírus registrados nas últimas 24 horas. Houve também 46 notificações de óbitos a mais. 

"O interior passou a capital em número de novos casos neste fim de semana, com 14,5% a mais de casos. Isso registra uma inversão na lógica de que a capital era o epicentro da crise", afirmou o secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi. Para ele, o isso demanda uma "atenção maior" por parte dos prefeitos. "É um momento de cooperação, tendo em vista que a ação de um prefeito impacta os municípios vizinhos. Um momento de decisão com base técnica e não com base política."

De acordo com o governo, São Paulo registra 5.680 pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e outros 8.249 em enfermarias, com casos confirmados ou suspeitos de coronavírus. A taxa de ocupação é de 65%, considerando todo o Estado, e de 68,5% na Grade São Paulo.

O governador João Doria afirmou que irá acionar o Ministério Público e o Tribunal de Justiça caso alguma prefeitura desrespeite medidas estabelecidas no Plano São Paulo, o programa de reabertura gradual da economia lançado pelo governo. "Em nome da vida e da saúde, recorreremos a todas as medidas de ordem judicial para proteger vidas", afirmou.

Na semana passada, o governo anunciou o recuo da reabertura nas regiões de Registro e Marília, no interior, por causa do aumento no número de internações. Isso já tinha ocorrido também com a região de Barretos. Os locais recuaram da fase laranja, quando alguns serviços não essenciais podem funcionar com restrições, para a vermelha, a mais rígida.

Para a capital, no entanto, Doria evitou comentar se vai anunciar avanço da reabertura nos próximos dias. Em geral, as mudanças de fase são divulgadas às sextas-feiras. "Salvo se houve alguma situação grave e precisar retroceder", disse o governador.

"Ainda não vi o total dos números, mas espero que sim", afirmou Carlos Carvalho, coordenador do Centro de Contingência Covid-19. Como morador, eu ficaria feliz se a capital tivesse menos casos, menos internações e que esses indicativos dissessem que o avanço da doença está controlado."

Carvalho também afirmou que modelos matemáticos que fazem as projeções da curva epidemiológica no Estado estão sendo reavaliados. "Na média, nós tivemos perto de 270 óbitos por dia na semana passada. Pela inclinação da curva, existia uma previsão de passarmos de 16 mil óbitos no fim do mês de junho. Para isso ocorrer, nós teríamos de ter mais de 400 óbitos diariamente, o que, felizmente, não tem ocorrido."

Segundo ele, o número deve ficar abaixo do que foi inicialmente previsto. "Essa curva vai achatar mais ainda e a nossa prospeção é de um número, felizmente, menor para o mês de julho. O grande fator que está determinando essa diminuição é o uso da máscara, e eu quero reforçar a importância. A máscara é fundamental."

Teste e falta de anestésico

Doria anunciou nesta segunda que o governo vai ampliar certificados de testagem para empresas privadas. "Estamos fazendo isso há quatro semanas e, agora, ampliando ainda mais", disse. "O correto monitoramento do avanço da doença auxilia na tomada de decisões contra a propagação do vírus."

"O que o selo de testagem está trazendo é uma transparência e uma regulação dos protocolos de testagem", disse a secretária de Desenvolvimento Econômico, Patricia Ellen. "Essas iniciativas já estão acontecendo, o que eles precisam agora é de uma orientação para realizar uma testagem adequada."

Coordenador de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Paulo Menezes afirmou que empresas em situação econômica "mais difícil" podem utilizar o SUS. "Se elas tiverem o cuidado de ler os protocolos que estão colocados, isso vai ser muito últil, utilizando a nossa estrutura de saúde pública."

Também presente à coletiva, o secretário da Saúde, José Henrique Germann, afirmou que os hospitais públicos de São Paulo estão com estoque "muito baixo" de anestésicos usados para entubar pacientes da covid-19. "Houve um aumento muito grande de pacientes, e a indústria não conseguiu acompanhar a produção."

Doria, entretanto, classificou a questão como uma "deficiência pontual" e disse já ter solicitado novas compras ao Ministério da Saúde. "Em outros Estados brasileiros a situação é mais grave", disse.

Bolsonarismo

Ao cobrar o uso de máscaras em locais públicos, Doria voltou, a fazer provocações ao presidente Jair Bolsonaro. "Mesmo que você seja seguidor do bolsonarismo, de Bolsonaro, da ideologia, proteja sua vida. Não vale a pena entregar sua vida à ideologia, ficar infectado, correr risco de vida para fazer valer uma ideologia", disse.

"Se você não respeita a condição da própria vida, deveria pensar na vida dos seus familiares, de pais, irmãos, avós. Não faz sentido não usar máscara: as máscaras protegem", afirmou. "Infelizmente, o Brasil é o 2º do mundo em casos de mortes. É um péssimo ranking para o Brasil. Eu prefereriria que a gente estivesse disputando outro título, de país que respeita a quarentena e a ciência."

Ao iniciar a fala, o governador prestou solidariedade após o País atingir a marca de 50 mil mortos por coronavírus. "É uma dor produnda para todos nós e principalmente para aqueles que atuam na ponta da saúde: médicos, enfermeiros, paramédicos."

Também foi anunciada na ocasião, a prorrogação até 31 de julho da oferta das três refeições e da alimentação gratuita a pessoas em situação de rua na rede Bom Prato. "Os 59 restaurantes vão permanecer funcionando todos os dias, inclusive aos fins de semana e feriados, com oferta de 1,2 milhão de refeições a mais por mês, totalizando 3,2 milhões por mês na rede", diz o governo, em nota.

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